Visualizations since May 2010

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

THE FLIGHT OF THE CONDOR - Returning to the Kaypacha

And there above, closer to Hananpacha, we looked down and we saw it. We saw life as whole, we saw our sinuous paths, those we had walked and those we are about to. And we saw the joy of those pieces of life, of the life of the other, we have been involved in. Over all we saw, that what it really matters in one’s life is exactly what no one can take away from you. The life we have lived, that is, what you really are. Absorbing once more all that peace and tranquility, we started the return to our Kaypacha, because it was time to. We flew out the air from our lounges and slowly slide down until we smoothly landed on Trujillo. At distance we could saw, in a glink of an eye, a smiley Nelson Mandela sliding up to the Hanapacha.
With the Condores keeping their wings over our track, guaranteeing that we would return safe to our Kaypacha. We said good bye to them with Scarborough fair (Simon and Gurfunkel) and with Gently Weeps (Beatles) we put an end on that adventure. A fine dinner for two, watching the sun slowly falling on the horizon and melting that piece of life in our souls, while Luis was defining the soundtrack of the movie that would be produced by myself later on. Two hearts, one soul.

E lá em cima mais perto do Hananpacha, olhamos para baixo e vimos. Vimos a vida num todo, vimos os sinuosos percursos que fizemos e aqueles que teríamos ainda de fazer, e vimos a alegria dos bocados de vida em que participamos na vida do outro e, acima de tudo, vimos que o que importa na vida é realmente aquilo que não te podem tirar. A vida que viveste, isto é, aquilo que tu és. Absorvemos a alma com aquela paz e tranquilidade uma vez mais, que a hora era de partir e não se pode ficar demasiado tempo naqueles sítios, se realmente se pretende voltar. E esvaziando lentamente os pulmões fomos deslizando para baixo até pousar suavemente em Trujillo. Ao longe vimos subindo em direcção Hananpacha, um sorridente Nelson Mandela.
E uma vez mais, os Condores foram seguindo à distância a nossa descida, garantindo que chegariamos a salvo ao nosso Kaypacha. Despedimo-nos deles com Scarborough fair (Simon & Garfunkel) e partimos para o entardecer com Gently Weeps (Beatles).

No fim, a sensação de partilha plena de um segmento de vida. Uma lauta refeição a dois vendo o sol cair lentamente no horizonte desvanecendo na nossa alma aquela aventura, enquanto o Luis montava a banda sonora do filme que eu haveria de vir a fazer. Em perfeita sintonia.

sábado, 30 de novembro de 2013

THE FLIGHT OF THE CONDOR - On the Top of the World

And again with the words of Luis Machado…

If we climbed high on the top of the mountain with Eddie Vedder, up to Huamachuco, with Eddie we kept moving in the mountains in the next morning. We have arrived before 6 in the morning to Lake Sausococha, a true Gods mirror, which quickly swallowed us with its tranquility and purety. Just Breath say the lyrics and that was exactly what we did. Deep breath and try to record in our memories that peace, while absorbing the energy irradiated by the sun that slowly and sleepy was rising up in the sky. The needed energy for the day that we anticipated as a long one.
And so, with our batteries completly full, after “crossing” cigarettes in way that recall D’Artagnan and the 3 mosqueteers, we put our feet on the way with this two new Peruvian friends towards the top of the Andes, at 4300m height, leaving the cold Huamachuco (the Sombrero of Halcon) behind. Up above we felt like giants, completely melted with nature. Once again we could see the world by the Condor´s perspective, without having to leave our feet from the ground. For us, only that moment was important, past has been left behind and the future would come as itself would like to do it... There we were the center of the universe… There we were on the top of the world. With Oasis (Don´t look back in anger) and Night Visions (on the top of the world)
E de novo com a palavra de Luis Machado...

E se com o Eddie Vedder nos elevámos bem alto nas montanhas até à remota cidade de Huamachuco, com ele continuámos a percorrer a cordilheira na manhã seguinte. Ainda antes das 6 da manhã, chegamos à Lagoa de Sausacocha, um verdadeiro espelho dos Deuses que rapidamente nos engoliu com a sua tranquilidade e pureza. “Just breath” diz a música e foi mesmo isso que fizemos. Respirámos fundo e tentámos gravar na nossa memória aquela paz à medida que íamos absorvendo a energia do sol que, dorminhoco, se ia preguiçosamente levantando no céu. A energia ideal para enfrentar um dia que se adivinhava longo.
Já com as baterias bem carregadas, e depois de um cruzar de cigarros, a fazer lembrar o D’Artagnan e os 3 Mosqueteiros, seguimos com os dois novos companheiros de viagem em direcção ao topo da cordilheira andina, até aos 4300m de altitude, deixando a gélida e solarenga cidade de Huamachuco (o Sombrero de Halcon em Quechua) para trás.
E bem lá no alto sentimo-nos como gigantes, uma parte integrante da natureza. Uma vez mais podémos ver o mundo da perspectiva do Condor, sem que para isso tivéssemos sequer que tirar os pés do chão.

Lá em cima só importava aquele instante, o passado tinha ficado para trás, o futuro haveria de vir como ele próprio bem entendesse... ali éramos o centro do Universo... ali estávamos no topo do Mundo (Oasis, Don’t look back in anger e Night Visions, On Top of the World)."

domingo, 24 de novembro de 2013

THE FLIGHT OF THE CONDOR - in the Footsteps of History

 The Pre-Incas cultures ended up, one way or another, melted into that powerful and amazing civilization: the Incas. Following the steps of their History, we fell down in the pickup vehicle, me and Luis, and blown by the wind  we “snaked” up in the mountain following the Condors that were sliding in the air up above in the top of the mountain. Definitively showing us the way. 4,5 long hours to drive 125 km from Trujillo to Huamachuco, a small town stucked in the middle of the Andes. From the Sea level to 4000m and then sliding down to 3500m of Huamachuco. 4,5 long hours of pure pleasure embedded by the beautiful scenary of those mountains, slowly cutting our air, until we reached that sweet sickness of heights, adequate to absorb all that beauty of nature. To help reaching that state, Luis picked up the iPod and blessed our trip with Radiohead (High and Dry) and Eddie Vedder (Society). Perfect symbiosis with my soul. Two generations united by the same music. Perfect for that Nirvana. 

THE FLIGHT OF THE CONDOR - in the Footsteps of History from nunocruz on Vimeo.

As culturas pré-incas, acabariam de uma maneira ou de outra integradas na cultura mãe daquelas terras, os Incas. Seguindo os passos dessa História atiramo-nos, eu e o Luis, para dentro de uma pick up, entalados entre uma parafernália de ferramentas de trabalho da mais variada utilidade, serpenteamos com o vento montanha acima com os inevitáveis condores pairando sobre nós e indicando-nos o caminho a seguir. 4,5 longas horas para fazer 125 km entre Trujillo e Huamachuco, uma pequena cidade entalada nas pregas dos Andes.  Do nível do mar para os 4.000m descendo depois para cerca dos 3500m em Huamachuco. 4,5 horas de prazer profundo embebido pela grandiosidade da cordilheira, que nos foi literalmente cortando o ar até atingirmos a doce oura da altitude, propicia à absorção plena de toda aquela beleza. Para ajudar, o Luis, sacou do seu iPod e abençoou-nos a viagem com Radiohead (High and Dry) e Eddie Vedder (Society). Simbiose perfeita comigo. Duas gerações unidas pela mesma música. Perfeito para esse Nirvana.

domingo, 17 de novembro de 2013

THE FLIGHT OF THE CONDOR - A long time ago

Trujillo, Peru
Under the Condor wing
Under the wings of the Condor, which protected our souls and guide our steps, we drawn ourselves in the time and the history of the Indian cultures that inhabited that strip of desert land that is the Peruvian coastline. Without Jorge Santos, whose life had moved him to Lima.
A long long time ago, a lot before the Inca Culture, the Moche culture flourished in the arid area of the North coastline of Peru. Although they haven´t developed a political unity between the civilizational groups, they had a strong culture link. They didn´t have a proper writing and so, iconographic representation in handycraft, ceramics, jewelry were the means of telling to the future, their story, their believes, their way of life. The common architecture were based in their temples (Huaca) and pyramids, usually in adobe, being the Sun and the Moon temples (in Trujillo) the best examples of their creativity. Taken by the sound of Simon & Garfunkel (el Condor Pasa), me and Luis drawn ourselves into the deep hearth of Moche culture, learning how they lived and how they disappeared, in a sequence of 30 years of el Niños that generated 30 years of overflow in the coast line, followed by 30 years of dryness and more 30 years of civil war arising from the precarious conditions. With their houses and farms destroyed, people stop believing in Gods, doubt their human sacrifices and rejected their social stratification.
It is terrifying to think how close it is of the world we are living in.  
The Moche culture had disappeared around 800 AC, but left the seeds for the further Chimú civilization (Xth Century), who were also very skilled in ceramics jewelry and metallurgy. But their main achievement was as architects and urbanists, being actually considered the best of the old Peru. And once again, we transported ourselves with the time and got inside the greatest adobe city of the world, 15 km2 where 100.000 inhabitants lived together in the past.  Always protected by the Condor wings that followed all our steps in this historic promenade, ensuring us a safe journey . This time with “Cariñito"  (Los Hijos del Sol).

E com o condor como cicerone, protegendo-nos a alma e orientando-nos os passos sob as suas asas, mergulhamos no tempo e na história das culturas que habitaram a faixa desértica da costa peruana (Pacifico), já sem o Jorge Santos cuja vida o havia levado já para Lima.
Muito antes do aparecimento da cultura inca, em 100 a.C. floresce no seco Litoral Norte do actual território Peruano a civilização Moche. Não desenvolveram um estado ou unidade política entre os centros civilizacionais que abrangiam, mas apresentavam uma unidade cultural na iconografia comum. Aliás, uma vez que não dominavam a escrita, a representação iocnográfica em artefatos, cerâmica, murais e joalharia foi a forma que encontraram de registrar a sua história, as suas crenças e o seu modo de vida.
A arquitetura desenvolveu-se através de grandes obras públicas como templos e pirâmides, ambos com o uso de adobe (tijolo cru), sendo as Huacas del Sol e de la Luna (primeira parte do filme) os melhores e mais imponentes exemplos das capacidades arquitectónicas desta civilização. A Huaca del Sol, uma enorme estrutura piramidal situada no rio Moche, foi a maior estrutura arquitetônica pré-colombiana construída no Peru e possivelmente o centro de irradiação da cultura Mochica. Este sítio arqueológico foi desfigurado e praticamente destruído pelos conquistadores espanhóis assim que souberam da existência de artefatos de ouro enterrados nas tumbas encerradas na pirâmide. Felizmente a Huaca de La Luna, situada em frente da anterior e que se acredita que foi o principal centro religioso da região, permaneceu praticamente intacta, conservando, além de abundante iconografia cerâmica, magníficos murais coloridos. E assim, lá mergulhamos na Huaca de la Luna, levados pelo som de Simon & Garfunkel (el Condor Pasa), viajando uns séculos no tempo até ao coração da cultura Mochica e espreitando o seu declínio. Uma sequencia de "El Niños", que gerou 30 anos de inundação na costa, seguidos de 30 anos de seca e mais 30 anos de guerra civil em virtude da escassez de recursos, que arrasaram as suas casas e culturas, os fez deixar de acreditar na bondade dos Deuses, duvidar da eficiência dos rituais de sacrifícios humanos e rejeitar a estratificação social  e a linhagem. Os deuses haviam dado provas de uma ira que parecia não terminar jamais.
Qualquer sociedade moderna teria sucumbido...
Aterradoramente semelhante aos nossos dias, não podemos deixar de pensar.

Os Mochicas enquanto cultura desaparecem por volta do ano 800, mas geram uma nova cultura (Séc. X), os Chimu. Como legatários da cultura Mochica, os Chimus foram igualmente eximios na cerâmica e na produção metalurgica. Mas onde realmente se destacaram foi na sua qualidade, enquanto arquitectos e urbanistas, havendo quem defenda que são percursores dos Incas no que se refere as construções monumentais e que os considere os melhores arquitectos do Perú Antigo. E uma vez mais, transportados no tempo entramos na maior cidadela de "barro" do mundo, Chan Chan!!!, ao som de "Cariñito" dos Los Hijos del Sol. Aí, sempre protegidos pelas asas do Condor nesse deambular histórico, pasmámos pela sua imponência, organização e adornos em relevo daqueles 15km2 que chegaram a albergar cerca de 100.000 habitantes.  Pena o "El Niño", sempre ele, lhe ter retirado a sua cor original furtando-nos o verdadeiro "El Dorado", que devia o nome ao amarelo dourado que irradiava como um Sol. Nada, no entanto, que empobreça o que aos nossos olhos foi dado a ver.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

THE FLIGHT OF THE CONDOR - Through the desert to the Ocean

Paracas, Peru

The Condor of the Andes is a huge live being with 1.33m height, 3,20 of span and a weight that could reach 15 kg. With a typical lifetime iof 50 to 75 years, lust like us he is one of the greatest symbols of divinity of ancient Indian cultures of South America, such as Nasca, Chimú, Wari, Tiahuanaco, Mochica e Inca. Due to his heavyweight, despite his span, he needs help to float in the air, and so his natural habitats are wherever there is wind. Not only mountains, but also in windy coast line or deserts. Avoiding to spent energy in moving his heavy weight in an hunting process, the condor gets his food from “just dead” animals cleaning the nature while eating.
For the Inca Civilization there were 3 spiritual levels: the world of Above, known as Hananpacha (the world of spirit), the Mid world (Kaypacha, where the men live) and world of the Bottom (Ukupacha, the world of the dead, but with nothing to do with our Hell). Incas lived within these 3 worlds interacting through a Divine triology, where the Condor or Apu Kuntur was both the Guardian of the Above world as well as the messenger of gods. The other two were the Puma (mid-world) and the Snake (Bottom world).
And that was our companion in this trip of two generations with the same walk, from Paracas to Trujillo, and from there to Huamachuco, beyond the crest of the Andes in that area, in a amazing variety of landscapes. Floating above us, we gently invited us to float with him over the worlds of our own lives, unifying our Hanan Pacha and Kay Pacha.
Come along with us through the overwhelming Paracas National Park, the desert nearby the sea, and meet the condor, in a scenary painted by the colours of two different generations, Sting (Desert Rose) and Red Hot Chili Papers (My Friends).   

THE FLIGHT OF THE CONDOR - Through the desert to the ocean from nunocruz on Vimeo.
O Condor Andino é a maior ave do mundo, possui 1,33m de altura, 3,20m de envergadura, chega a quase 14 kg e vive entre 50 a 75 anos, é o símbolo e mestre dos Andes, foi considerado uma divindade por grandes culturas índias da América do sul, como Nasca, Chimú, Wari, Tiahuanaco, Mochica e Inca. Devido ao seu elevado peso e mesmo com a grande envergadura que exibe, o condor necessita de apoio para voar. Daí que viva preferencialmente em zonas ventosas para poder planar sobres as correntes de ar sem grande esforço, sendo frequente encontrá-los tanto em zonas montanhosas, como em zonas costeiras onde abundam as brisas do mar, e mesmo em desertos em que a corrente seja frequente. Talvez pela mesma razão, o condor não dispende as suas energias na caça. Espera que os animais morram para depois se alimentar, limpando simultaneamente a natureza. Equilibrio perfeito.
Para os Incas, existiam três níveis espirituais, o mundo de cima, conhecido como Hananpacha (o mundo dos espíritos), o mundo do meio, conhecido como Kaypacha (o mundo dos homens) e o mundo de baixo, conhecido como Ukupacha (o mundo dos mortos), o qual nada tem a ver com o nosso inferno. Os Incas viviam entre estes três mundos e relacionavam-se com eles através da trilogia totémica dos animais sagrados, na qual o cóndor ou Apu Kuntur para além de guardião do mundo de cima era também um “Mensageiro dos deuses” que fazia a união entre o Hanan Pacha e o Kay Pacha. Completavam o grupo dos guardiões, o Puma no mundo do meio e a Serpente no mundo de baixo.
E foi precisamente esse companheiro que nos acompanhou nesta viagem de união  entre gerações  (os meus amigos Luis Machado e Jorge Santos e eu próprio), de Paracas a Trujillo e dai a Huamachuco, passando para lá da crista andina, numa variedade enorme de ambientes naturais. Pairando sempre sobre nós, o condor com a sua majestosa e frequente presença foi-nos convidando gentilmente a deslizar com ele sobre os mundos que nos enquadram a vida, unindo também os nossos Hanan Pacha e Kay Pacha.

Venham daí conhecê-lo e senti-lo flutuando connosco pelo parque natural de Paracas, um deserto à beira-mar que é um dos habitats do condor andino. Um cenário magnifico pintado com as cores de duas diferentes gerações,  Sting (Desert Rose) e Red Hot Chili Papers (My Friends)

sábado, 2 de novembro de 2013


Peru, again

Introduction Note: This is a history (6 episodes) of two friends, Luis Machado and myself, that used to work together, in the same office, in the same room, in the same field, and one day got separated by the tricks of destiny sliding through nature with twin souls. Luis is now living in Peru and i´m steel keeping the same office that once was our common shelter. Another friend from that same time, Jorge Santos, who have also moved to Peru, mixed his feet with ours in the first steps of the adventure that will be told herein, and dragged us to that overwhelming darwinian landscape of Ballestas (post of today) and Paracas (next post, next week). From there, from the pacific coast, we would climb over the 4000m and arrived in Huamachuco in the top of the Andes. For a couple of days, we stayed there sliding our eyes over that magnificent landscape. As two Condors. And with the music that arise from our twin souls.
Opening the Cerimony, Luis sings “his lyrics” today. Next week will be my turn.

Ballestas Islands (Lost islands in the green of the Pacific Ocean)
A difficult sunrise with the eyes shadowed by the first sun lights that erase from the Peruvian coast. 24th June, the day of St. John for Portuguese people, a day that always make me feel the lack of my Portugal….
An excellent day to go into an adventure in the green fields of the pacific ocean, in Ballestas islands. Stolen from a sardine night, pork ribs and “caldo verde”, that was not over yet, we moved to Paracas to get the first boat to the islands in the early morning. The morning fresh air and the overwhelming landscape lead us to forget the missed sleeping hours, injecting the energy and the dynamic to incorporate the the landscape that would get into our souls.
A lamp marked in a consolidated sandstone, drown by an ancient civilization, a Christ worked in rocks by the audacious Pacific ocean, a white cover painted by the shit of all the birds that live in those islands. A piece of the art of nature, only disturbed by the noise of the ship motors.
The pictures talk from themselves… And that was the beginning of one more traveling adventure of my good friend Nuno Cruz, this time in Peru, which I followed without losing even the small part of it.
 Every conversation, every shared music were a travelling inside another travelling, a tour around the world inside the tour around the country. A fantastic meeting of friends. Different generations, similar tastes.

I leave you with the quartet of Liverpool (Here Comes the Sun, Octopus’s Garden), hoping that they will guide you through the ocean towards a garden, not of Octopouses, but of seawolves.

THE FLIGHT OF THE CONDOR - Las Ballestas from nunocruz on Vimeo.

Nota Introdutória: Esta é uma história (6 episódios) contada e cantada em dueto, ao desafio como se faz na nossa terra, por dois tipos que trabalharam juntos no mesmo gabinete, nas mesmas obras, e que as agruras do destino haveriam de separar. Luis Machado vivendo no Peru, eu mantendo o gabinete que em tempos albergou os sonhos de ambos. Um outro parceiro desse tempo e desse trabalho, o Jorge Santos, também ele de vida mudada para o Peru, pôs-nos as pernas a andar nos primeiros passos da história que aqui se conta, arrastando-nos para esse magnifico paraíso natural que são as Ballestas (post de hoje) e Paracas (próxima semana). Daí, do pé do mar, haveriamos de arrancar, em trabalho, para os 4000m de altitude, no cume da cordilheira andina, cerca de Huamachuco, pairando como dois condores sobre aquela paisagem magnifica e sob o som da musica que brotou da alma dos dois.
Abrindo as hostilidades, hoje “canta” o Luis, …

Em Terras Andinas – As Ballestas (ilhas perdidas no verde do Pacifico)
Um amanhecer difícil com a vista turvada pelos primeiros raios de sol que irradiam a costa peruana. Dia 24 de Junho, dia de S. João, um dia que me faz sentir saudoso do meu Portugal…
Um excelente dia para me aventurar junto com bons amigos (Nuno Cruz e Jorge Santos) no verde do Pacifico com destino às ilhas Ballestas. Resgatados a uma noite de sardinhas, febras e Caldo Verde, ainda por terminar lá seguimos os 3 para Paracas para embarcar no primeiro barco da manhã.
A brisa matinal e a deslumbrante paisagem que nos envolveu serviram para fazer esquecer as horas roubadas ao sono e injectar uma boa dose de energia e empolgamento para aproveitar profundamente aquelas imagens que nos veriam a entrar pela retina. Um candelabro desenhado na areia consolidada por uma civilização antiga, um Cristo desenhado pela audácia do mar, um manto branco pintado pelos dejectos da passarada que por ali habita. Uma obra de arte da natureza só perturbada pelo ruído dos motores das lanchas. As fotos falam por si.
E assim começou mais uma viagem do meu amigo Nuno no Peru, da qual eu me esforcei para não perder pitada. Cada conversa, cada musica partilhada, foram uma viagem dentro de outra, uma volta ao mundo dentro de uma volta por um país. Gerações distintas, gostos comuns. Excelente reencontro de amigos.
Deixem que o quarteto de Liverpool (Here Comes the Sun, Octopus’s Garden) vos guie, nas primeiras horas da manhã, mar adentro até um jardim, não de polvos mas de lobos marinhos.

sábado, 19 de outubro de 2013

7 SEAS - Back On Shore

From Cadiz to Lisbon

From the singing nights referred in the last episode, emerges a hymn coming out from the soul (NASCE SELVAGEM, Resistência), that instinctively we swallowed to the bottom of our souls. And after that, the end of the adventure with the given sailing certificates that all of us feel to deserve. From the bottom of our hearts. With Rodrigo Leão & Ana Carolina (Voltar, Returning)

7 SEAS - Back to Shore from nunocruz on Vimeo.

Das noites de cantoria referidas no ultimo episódio, sobressai o hino que de uma forma mais ou menos instintiva todos fomos acolhendo dentro da nossa alma, NASCE SELVAGEM (Resistência), e que aqui vos deixo. Depois o retorno a casa e o fecho dessa aventura inolvidável com a entrega dos diplomas que todos nós sentimos merecer. Do fundo do coração. Com Rodrigo Leão & Ana Carolina (Voltar) e com o texto de um membro da tripulação, o Gulherme Cobretti, à laia de epilogo...

"O conceito de aventura é, nos dias de hoje, algo vago e muito diferente daquele de há uns tempos atrás. Apanhar o autocarro 208 num final de tarde chuvoso é para muitos uma aventura; ir ver o FC Porto à Luz idem; conhecer uma rapariga numa noite comprida parece que também o é. Foi por isso que quando voltei da minha (nossa) viagem a bordo do NTM Creoula evitei ao máximo o uso da palavra “aventura”. Mas foi disso que realmente se tratou,
uma aventura, das clássicas, com principio, meio e fim.
Toda a viagem fez-se não apenas em terra e mar, mas também algures bem fundo dentro de nós. Lembro-me perfeitamente das incertezas do primeiro dia, o estranhar do ambiente e das caras tudo menos familiares. Os cheiros anormais, o chão que parecia não querer ser mais chão, e a luz. As incertezas deram primeiro lugar a uma ténue sensação de conforto, depois surgiram leves notas de coesão e espirito de grupo, que por fim se transformaram num estranho sentimento de acolhimento. Ali, entre azúl céu e azúl mar, senti-me em casa e entre pares.
Ainda em terra, a longa estadia no Porto de Leixões revelou-se o momento mais asfixiante de toda a aventura. A proximidade do mar alto, bem como o advento de dias e dias de navegação não me deixavam desfrutar daqueles últimos momentos em terra. Foi sufocante estar alí, num limbo entre casa e o mar que todos almejavamos.
Uma vez a deslizar sobre o azul marinho deu-se um continuo desenrolar de revelações e momentos que julgo serão eternos. Alguns cheiros parecem estar ainda entranhados em mim; por vezes julgo ainda ter as orelhas a arder queimadas pela sol, e há meias-noites em que sinto distintamente o cheiro de pão com chouriço pelo ar. Quando uso o meu leitor mp3 - o mesmo que usei no navio - as mais variadas músicas lembram-me momentos únicos que no navio passei. Dou por mim a associar o rap do Kanye West com a mais longa e “molhada” vigia que fiz, já num dos últimos dias da viagem. E gosto muito…
Nunca adorei estar muito tempo em casa, fechado num anfiteatro na faculdade, ou encerrado dentro de um avião numa longa viagem, e por isso lembro-me que foi imensamente estranho sentir tamanha liberdade quando confinado a um espaço tão “pequeno” como o do NTM Creoula. Mas a verdade é que me sentia totalemente livre, alí, rodeado de azul, gaivotas e golfinhos, sem internet ou telemóvel.
Antes de terminar este brevissimo ensaio sobre o ir e voltar sobre ondas no mar, não poderia deixar de dedicar umas palavras às Berlengas e a Cádiz, para muitos os climax da viagem, nem sempre pelas mesmas razões.
Aquela dia, naquela pequena ilha mágica, com as suas praias espremidas entre ravinas e os seus habitantes de rapina, foi dos melhores dias da minha curta vida, digo-o sem grande custo ou problema. O calor, os sorrisos, a boa comida e o vinho fresco fizeram-nos escorregar colina abaixo, e demos por nós num cenário idílico, a nadar, cantar e a rir.
Já chegar a Cádiz, uma cidade secular, e aportar no centro histórico, entre monumentos, pequenas torres de vigia e edificios impregnados de lendas, foi uma experiência única. Aquela antiga cidade de mercadores e velhos lobos do mar serviu de cenário perfeito para o final anunciado da nossa pequena aventura.
Uma vez em Lisboa e já em terra, ainda estavamos juntos e já a saudade começava a apertar e a moer algo dentro de nós, presumo que o coração. Fizeram-se promessas de reuniões, amizade eterna e muito convivio, mas todos sabiamos que inevitavelmente muitos de nós jamais se veriam. Mas as aventuras são mesmo assim, todas têm um principio um meio e um fim. E esta foi, decididamente, uma aventura."
Guilherme Cobretti

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

7 SEAS - Off (Drinking) Duty

And after a couple of days, with our faces full of salt, the burnt by the sun, and the soul sinking in the ocean, we finally arrived in the fantastic harbour of Cadiz, which leaves you right in the center of that city undoubtly marked by the oceans and sailors.

And just like any other sailor, the sight of shore just push us straight to the laugh and pleasure world. Come along with us and leave yourself with the fantastic voice of Luisa Sobral (Xico), singing an history of a sailor life.

Kisses and hugs

7 SEAS - Off (drinking) Duty from nunocruz on Vimeo.

E depois de uns quantos dias de mar, por vezes salteado com terra (como nas berlengas), com a face a saber a sal, a pele bem tisnada pelo sol e a alma inundada pelo oceano, lá atracamos no porto de Cadiz, com saída directa para o centro dessa magnifica e importante cidade portuária do sul de espanha, cuja vida se encontra indelevelmente marcada pelo mar e pelos navegantes. E como com qualquer outro marujo, a vista de terra e dos divertimentos que por ali se podem encontrar despertaram a "toura" que há em nós. Uma merecida interrupção na navegação para dar corda no riso e no prazer. Venham daí connosco, e deixem-se embalar com a voz e as palavras de Luisa Sobral (Xico), contando e cantando uma história que bem pode ser de marinheiros.

Beijos e abraços 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

7 SEAS - The Perfect Mix

Berlengas - Cadiz. Living in the Ocean

We left Berlengas after the sunset and we had to face two nights and one day of intense navigation.

Intense days. Continuous work of navigation, with the “crew” more prepared and familiarized with the tasks, 4 hour of “quarters” combined with general and sailing labours, accumulated with specific manoeuvers of navigation and various academic workshops, which drown us more deeply into this fantastic world that is the sea. And all happening within this unstable platform that is the ship. Teachers, students and sailors united by the same goal, shoulder to shoulder and laugh to laugh, being part of the same crew and living in full cooperation instead of competition. And at the end of the day, that tribute in the southwest corner of Portugal payed to the father of Portuguese Navigation, threw us definitively into the History of our country. Overwhelming

Intense nights. By night, the curtains went up and voices raised in the air towards the moon and the stars, singing portuguese rock songs from the 80’ and 90’ (that you have been listening throughout the movies of this story), unifying (again) the different generations that were on board around same freedom chorus (today with Homem do Leme, the Man of the Wheel from Xutos e Pontapés and Too Far from Radio Macau). Unforgettable nights that pull up the joy of university time, were nights like this were common. Not as a remembrance of the past. Only a true share of the similar moments, ideals and freedom.

This kind of trips can end in two ways. If everything goes wrong, that´s a hell of a mess. If it goes well, they usually become sublime. This latter was exactly what happen with us. Unforgetable.

7 SEAS - The Perfect Mix from nunocruz on Vimeo.

Levantamos ferro e saímos das Berlengas depois do Sol se pôr. Tínhamos pela frente uma noite de navegação seguida do dia seguinte e ainda a respectiva noite até de manhã, conforme o planning de chegada a Cadiz.

Dias intensos. Manobras de navegação em continuo, agora com todos familiarizados com as respectivas tarefas, turnos de 4 horas mais as fainas gerais, tudo em cima de formações especificas de treino de mar e vários workshops UIM (sobre o mar, naturalmente) que nos afogavam ainda mais nesse deslumbrante continente dos Oceanos. Professores, alunos e marinheiros convergindo nas mesmas tarefas, ombro no ombro e riso no riso, diluindo a competitividade por detrás da cooperação e do espírito de equipa. Uma tripulação que todos constituíam e na qual todos se reviam. Depois, a variedade de assuntos tratados nos workshops, emprestou uma riqueza de conhecimentos que a todos nos “afogou” mais ainda naquele mar. E no final do dia, aquela sentida homenagem em frente à ponta de Sagres ao Infante do mesmo nome que atirou connosco para dentro da própria História do nosso País. Empolgante, para mim, pelo menos.

Noites intensas. Pela noite baixava o “Cantar” a meio convés, sob a lua e milhões de estrelas, maioritariamente pautado pelas letras e músicas do cancioneiro Português dos anos 80 e 90 que tem vindo a acompanhar os filmes desta historia (hoje com Homem do Leme dos Xutos e Pontapés e Longe Demais dos Radio Macau, ambas cantadas pelos Resistência), unindo-se aqui, também, as diferentes gerações num mesmo coro de sentida liberdade. Tão boas aquelas noites de cantoria que arrancaram de mim a alegria do tempo de universitário quando frequentemente vivi noites daquele calibre. Não pelo saudosismo, que nem o aprecio. Apenas pela comunhão de momentos, de ideais e de liberdade.

Este tipo de viagens, em que as coisas andam nos limites, tem destas coisas. Ou dão para o “torto” e é uma confusão dos diabos ou correm bem e são sublimes. Connosco deu para a última e tornou-se inesquecível. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

7 SEAS - Paradising


We anchored just in front of Berlengas, for a deserved resting time of navigation and university procedures, taking advantage of the 1st afternoon off-duty to enjoy one of the best natural spots that the oceanic Portugal has to offer. The archipelago of Berlengas In a way i had the chance to feel the Charles Darwin look around when abandoning his Beagle to go on a beautiful and rich shore, when i jumped to our "zebro" to step on the the only inhabited island (the Great Berlenga) of an astonishing 1,5 km long and 800m wide.
Located 5,7 miles from the Cape Carvoeiro, the archipelago is composed by 3 islands: Great Berlenga, Estelas and Farilhões. It is a unique ecosystem of the world. Because of that, Berlengas was the first protected land of Portugal (1465, King Afonso V) and it is today a Biosphere World Reserve of UNESCO (2011).  It is a rather different natural spot, for what it is common in Portugal, showing a pirate caribbean landscape, marked by strongly green waters full of life, a fortress almost palaphitic, natural tunnels where the sun plays its magic games with the shadows. And in reality, the scenary correspond to the history of the place marked by dramatic and heroic events, frequently associated to shipwrecks and attacks of Morocco, Algerian, French and British pirates.    

The day woke up gray, but when we arrived on the Berlenga Lighthouse for an official Lunch offered by the 
Oeste cim, the sun was already smiling out loud to all of us. After the lunch and the usual speeches for official events, the doors for enjoying the place were open, in a scream of watering liberty shared by students, profs and crew, which deeply led to a same soul for the group. Freshly tasteful, with Resistência (
Mano a Mano, Shoulder to Shoulder and Marcha dos Desalinhados, The March of Not Fit People).

7 SEAS - Paradising from nunocruz on Vimeo.

Fundeamos ao largo das Berlengas, para um merecido repouso na navegação, aproveitando a primeira tarde de folga de trabalho para tirar partido de um dos muitos belos spots naturais que o Portugal marítimo tem para oferecer. O arquipélago das Berlengas. Duma certa forma, tive o prazer de vislumbrar os olhares de Charles Darwin saindo do seu “Beagle” em direcção a uma terra florescente de fauna e flora, praticamente sem gente, quando saltei para dentro do “zebro” e abalei para a única ilha habitada do arquipélago (Berlenga Grande), com apenas cerca de 1,5km de comprido por 800m de largo.
Situado a 5,7 milhas a oeste do Cabo Carvoeiro o Arquipélago das Berlengas é composto por 3 pequenas ilhas de natureza granítica, denominadas Berlenga Grande, Estelas e Farilhões, e constitui-se como um ecossistema dito único no mundo. No país, concerteza. Talvez por isso tenha sido mesmo a primeira área protegida do país (1465, por decreto do rei Afonso V) e seja actualmente classificado como Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO (2011). No país é concerteza único, mostrando um lado que mais parece um cenário de piratas nas Caraibas. Águas poderosamente verdes, uma fortaleza quase palafitosa, cenários de grutas e de raios solares que criam mágicos jogos de luz. E na realidade o cenário corresponde à história, rica em acontecimentos dramáticos e heróicos (bem ao jeito nacional) associados a frequentes naufrágios e ataques de piratas marroquinos argelinos, franceses e ingleses que ocorriam naquela parte da costa portuguesa, de onde emerge um herói nacional, o cabo ANTÓNIO AVELAR PESSOA, que resistiu com 28 homens durante dois dias a um ataque da armada espanhola de catorze naus e uma caravela (o nosso habitual David contra Golias). Romântico, sem dúvida.

Depois de uma manhã mais cinzenta, o tempo abriu e quando chegamos ao Farol da Berlenga, para uma sardinhada oficial oferecida pela
Oeste cim a todo o Creoula, já o Sol estava todo bem-disposto sorrindo para nós todos. Após o almoço e os discursos das entidades oficiais, abriram-se as portas para o usufruto da beleza e romantismo do lugar, num grito de aquática liberdade, partilhado por instruendos, profs. e tripulação, contribuindo profundamente para  o entrosamento de todos. Saborosamente fresco, com Resistência (Mano a Mano e Marcha dos Desalinhados).   

sábado, 21 de setembro de 2013

7 SEAS - The Sailing Labour

Ilhavo -Berlengas

After the first day of navigation, we were all more confortable with our stomach, body and brain in terms of managing seasickness, all familiarized with our tasks on board and having the idea of the work to be done. We were getting the spirit of the thing and anxious to start Living in the Sea
Every morning the day began at 7.00 with a whistle announcing the dawn and giving instructions about what to dress and the planning for the day. The whole group had been previously divided in 4 groups of 9-10 students, one Cadete (officer student of Naval School) 2 university tutors, working mixed together with the ship crew in quarters (4 hours each group) for the ship labour, participating in the navigation procedures (including the wheel and the maps), cooking, “waitering” the meals, guaranteeing good shape of the mechanical and electronic equipments and watching over. General Labour for cleaning rooms and bathrooms at 7.30 each morning (3 hours of sleep for those who were in “quarters” until 4.00), Sail Labour and workshops and preparation for the university works (that have to be presented at the end) had the participation of the whole group. It was tough and exhausting. Generally not more than 5-6 hours of sleep, frequently in two steps.
Despite that, mixing university students, professors and Army in a same working group it was surprisingly simple. Everything worked so well and so fast, giving us time to look through the “window” and get in touch with this other continent that Oceans are. Sliding with its waves, feeling its melancholic infinite and how small we (and our ship) are. One unchangeable circumference, departing from you, in its centre, towards the point where oceans meet sky. Everything that falls within… belongs to your eyes, to your soul, to your dream. And so all together we have just abandoned ourselves on the arms of that adventure. Superb. With the music of Resistência (Não sou o único, I´m not the only one looking at the sky e Noite, Night). Hope you like it

7 SEAS - The Sailing Labour from nunocruz on Vimeo.

Depois da primeira navegação, introdutória para passar enjoos, habituar o corpo e o cérebro aquela instabilidade permanente debaixo dos pés e antever a vida de dias seguidos a bordo sem pôr pé em terra com trabalho árduo pela frente tanto nas manobras de marinhança como nas obrigações académicas, começámos realmente a entrar no espírito da coisa.
O dia começava com um apito agudo pelas 7.00 da manhã que anunciava a alvorada e dava indicações da farda a vestir e das actividades do dia, normalmente abundantes e intensas.
O pessoal fora previamente dividido em 4 grupos associados aos 4 mastros do navio (Traquete, Contra Traquete, Grande e Mezena) de 9-10 instruendos, um cadete da escola naval e dois tutores universitários, faziam os seus quartos (turnos de 4 horas) enquadrados pela guarnição do navio nas manobras de marinhança, que abrangiam leme e navegação, vigias, apoio aos equipamentos, refeitório e cozinha. Fainas gerais de limpeza diárias às 7.30 da manhã (o turno anterior com 3 horas de sono), fainas de mastros (cada grupo no seu mastro a puxar vela) intercalados por workshops e preparação dos trabalhos académicos tinham a participação simultânea de todos. Noites de sono dormidas em episódios para cumprir com os quartos. E tudo isto com necessidade de fomentar um espírito de equipa, fundamental para o bom curso da viagem, entre as comunidades universitária e militar, com todas as diferenças que daí advêm e facilmente se depreendem. Alunos universitários em geral irrequietos e pouco “hierárquicos”. Professores que ali também tem de sentar-se do lado do aprendiz (na arte da marinhança), do titubeante, do inseguro. Militares habituados à hierarquia e à disciplina na condução das suas actividades. Tudo isto sob a alçada do cansaço que naturalmente sobrevém com o passar dos dias. Não é fácil, convenhamos, que os pontos de tensão possíveis eram concerteza muitos. E, no entanto, a assumpção e interiorização do papel de cada um encaixou-se com uma espantosa naturalidade. Surpreendente o modo como tudo se passou, sem delongas nem discussões e com uma boa disposição notável, proporcionando a todos a rara oportunidade de usufruir e “comunicar” com esse fantástico outro continente que são os Oceanos, entrando no seu balanço permanente, sentindo a sua infinitude melancólica e a noção da pequenez do nosso pequeno espaço (navio). Uma circunferência imutável espraiando-se até ao horizonte largo e aberto até se despenhar contra o céu. Tudo o que lá cai dentro definitivamente pertence ao nosso olhar, à nossa alma, ao nosso sonho. Deixamo-nos todos, naturalmente, levar nos braços dessa aventura inebriante. Com Resistência (Não sou o único e Noite)

Beijos e abraços

sábado, 14 de setembro de 2013

7 SEAS - The CREOULA Training Ship

I really want to thank my dear friend Quim Gois for the given magnificent opportunity of adventure so adequate to my (Portuguese) soul.
Coming on board of a ship like Creoula (a ship of training of Portuguese navy that was initially designed for the Bacalhau fishing labour) is the chance of going through the adventure of Time and our past history of sailing, so marked by the Portuguese courage that gave new worlds to the world. Both by the fishing of Bacalhau and the overseas discovering period of Portuguese History. On the subject, i don´t resist to cite the insuspect Australian Alan Villiers in his book “The Quest of the Scooner Argus” about the Portuguese fishing labour. I strongly recommend the book to the Portuguese that don’t know it, because they will certainly feel proud of our nature and also to those foreigner that really want to understand what the word Portuguese means. I think this is especially important in our days.
He said…
“It is not a disrespect for the memory of Cristovão Colombo, if we honour those truly pioneers to whom the European navigators are in debt, who dared, before others, to cross the Atlantic chasing their Bacalhau.

Come along with me and my brand new 90 friends (8 Tutors, 38 students, 4 officers and one commander of Naval School and the 40 people crew of the ship) in the adventure that starts today and feel something that words cannot describe. The whole package of music is Portuguese and emerged from the singing that embraced all of us in fantastic nights under the moon light and thousand stars. Because their music and their lyrics that put the perfect emotions on the adventure. Today, between Porto and Ilhavo, Traz um amigo também (bring another friend with you), of our great freedom singer Zeca Afonso here played by Resistência, and Sete Mares (Seven Seas) of Sétima Legião.

7 Seas - The CREOULA training ship from nunocruz on Vimeo.

A aventura que aqui se irá contar começou, numa bela manhã, viajando de carro para Lisboa em serviço da Ordem dos Engenheiros com um colega de profissão e um velho amigo de pândega, o Quim Gois. Entre os km de conversa que se seguiram, o dito cujo amigo acena-me com a aventura do Creoula e da Universidade do Mar. Ainda a conversa ia no preâmbulo e já, sem qualquer hesitação, todo o entusiasmo me brotava pelos olhos, pelo sorriso, pela alma, amarrando-me desde logo ao projecto. Agradeço à providência e ao Quim Gois a magnifica aventura que me perdurará para sempre na alma e que ninguém nunca me poderá roubar.

Embarcar num navio como o NTM (Navio de Treino de Mar) Creoula é embarcar na aventura do tempo e da nossa lusa história de marinhança, trazendo-nos à alma o registo corajoso e memorável das nossas gentes que com bravura deram novos mundos ao mundo, quer nas andanças da pesca do bacalhau (para a qual o Creoula foi inicialmente projectado) quer na epopeia dos descobrimentos que ainda hoje são o ponto maior da nossa identidade. Não resisto por isso a transcrever uma frase do insuspeito australiano Alan Villiers integrada no seu livro “A Campanha do Argus” escrito no decurso de uma viagem da pesca do bacalhau no navio com o mesmo nome. Recomendo vivamente a obra, quer aos portugueses que não a conheçam pelo o orgulho luso que certamente sentirão, quer aos estrangeiros que queiram saber de que massa é realmente feito um Português. E quão necessário e importante é isso nos dias de hoje.
Disse ele (Alan Villiers)…
“Não se comete nenhum desrespeito pela façanha e memória de Cristovão Colombo, se honrarmos esses pioneiros mais verdadeiros, ou se recordarmos a divida que os navegadores europeus tiveram para com os corajosos marinheiros portugueses, os primeiros a atrever-se a atravessar o Atlântico, embarcando em pequenos navios à procura do seu tão estimado bacalhau."  

Embarquem com a minha alma inquieta nesta aventura do Creoula e sintam um pouco daquilo que as palavras não conseguem nunca descrever. A musica desta história (toda ela do nosso cancioneiro) emergiu das noites de guitarradas a bordo que, ao longo de 12 dias num trajecto Porto – Ilhavo – Berlengas – Cadiz - Lisboa,. enredaram numa viagem memorável todos os mais ou menos 90 “macacos” (8 tutores, 38 alunos, 4 cadetes e um comandante da escola Naval misturados com a guarnição de cerca de 40 homens destacados).  Pelas emoções que a musica sempre transporta, pelas palavras que contam na perfeição a história vivida e pela afirmação de liberdade que toda esta viagem constituiu. Neste primeiro capítulo (entre Porto e Ilhavo) com Traz um Amigo Também (original do grande Zeca Afonso, aqui cantado pelos Resistência) e Sete Mares dos Sétima Legião.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

AN AFRICAN CROSS COUNTRY - The joy of enjoying the way


And so, another adventure comes to the end, with the happiness built along the way. And that one is inside me now, is part of me. I leave you with a little tour around Maputo, while i am waiting for the moment to get in the plane and step on the long way that will lead me home. Happy and in a good mood, despite the horrible toothache that has been torturing me for the last couple of days. With Beirute (Nantes and Appolonia) and Moby (Everloving), to relax. Kisses and hugs for my travelling companions, Francisco "Comodoro" Asseceiro, Eduardo "Broken Back" Fortunato, Elsa "Holy Mother of the Waters" Alves.

See you in the next adventure

AN AFRICAN CROSS COUNTRY - The joy of enjoying the way from nunocruz on Vimeo.

E assim mais uma aventura chega ao fim, com a felicidade que o caminho emprestou. E essa, já cá está dentro, já faz parte de mim. Deixo-vos com uma voltita por Maputo, enquanto espero que chegue a hora de embarcar de novo na interminável viagem de regresso a casa. Feliz e bem disposto, apesar do abcesso bárbaro que me atormenta há uns dias. Com a musica de Beirute (Nantes e Appolonia) e Moby (Everloving) para descontrair.

Um abraço especial para os meus companheiros de aventura Francisco "Comodoro" Asseceiro, Eduardo "Costa Quebrada" Fortunato, Elsa "Senhora das Águas" Alves.

Vemo-nos na próxima aventura

sexta-feira, 19 de julho de 2013


Cahora Bassa

A friend (João Pedro Matos Fernandes), which happens to be actually living in Mozambique, threw out a sentence to the heart of a working group like this one that stayed forever marked in my brain and in my heart. He said:
-        Don´t make confusion between working in joy and a bad sense of responsibility. It is laughing that you are able to produce a good work
And that multidisciplinary group, working in the Azorean coastal area management, commanded by the fantastic Ana Barroco (Quaternaire, Portugal), was a living image of what he meant to say. More than 10 years after, this working team is still breathing joy at work, no matter those who left and those who joined in, and I believe that it will last forever.
In this African cross country it happens exactly the same, without need for the sentence to be said. It was actually said by our instincts, at every hour and every minute of this FUNTASTIC journey. Despite going through exhausting days, painted with colours of toothaches (Miracle man), broken backs tortured by jumps in impossible roads and smashed by the dreisin hard suspensions (Broken Back) or by the African dizziness that you never know if it is a problem of food, malaria or something else (The Holy Mother of Waters), the smile never felt and miracles just happened at the rhythm of a clap (Miracle man). Everything under the fantastic supervision of the Commodore, who conquered that extraordinary achievement in Africa of doing everything as scheduled. At the end he was with a toasted ear as a result of so many hours on the phone, but he never lost his “north” and his smile. And I, quietly seated in my corner, feel the same thing I felt with the Azorean adventure.      
In our way back, we couldn´t deny ourselves a jump to a Portuguese pride that Broken Back had wined for us: the Dam of Cahora Bassa. A little bit of tha shining Portugal that we are proud of to compensate the shadowed Portugal that we actually have. Guyamas Sonora (Beirut) is perfect to illustrate that trip, that place, those friends, those smiles. Join along and smile with us.

AN AFRICAN CROSS COUNTRY - Smiling out loud from nunocruz on Vimeo.

Um amigo, que por acaso reside actualmente em Maputo, o João Pedro Matos Fernandes, atirou com uma frase para o meio de um grupo de trabalho, tal como este, multidisciplinar, que me ficou profundamente gravada na cabeça e no coração. Disse ele:
- Não se confunda alegria no trabalho, com irresponsabilidade, desleixo, desonestidade ou incompetência. A rir se faz o trabalho bem feito.
E esse grupo de gente que se juntou para fazer uma série de planos de ordenamento da orla costeira açoreana (Quaternaire), encarnava precisamente aquilo que ele queria dizer. Há longos anos dura essa equipa, que as gentes que saem e as outras que entram não lhe retiram alma, pelo contrário, e eu acho que não acabará nunca (vai daqui um beijinho enorme à Ana Barroco, que soube lançar e conduzir toda essa boa gente ao longo de todos estes anos; beijos e abraços naturalmente para todos os outros com quem tenho tido o prazer de conviver).
Pois bem, nesta viagem aconteceu precisamente o mesmo, sem que a frase tenha sequer chegado a ser dita. Foi dita simplesmente pelo nosso instinto a toda a hora e minuto desta jornada. Espectacular. Por entre dias desgastantes, à mistura com abcessos (Milagreiro), profundas dores nas costas carregadas por saltos da 4x4 ou pelo matraquear da Dreisin (Costa Quebrada) ou mal-estares de África daqueles que nunca sabes se vem da comida, da malária ou de outra coisa qualquer (Sra. das Águas), nunca o sorriso se escondeu e os milagres sucederam-se ao ritmo do bater das palmas (Milagreiro). Superiormente conduzidos pelo Comodoro que conseguiu essa coisa fantástica de conseguir em África numa jornada deste tipo, de tudo correr dentro do planeado. Ficou com a orelha quente de tanto telefonar, mas nunca perdeu o rumo nem o sorriso. E eu, sentado no meu cantito, vejo a mesma coisa que sempre vi na aventura açoreana.

No regresso, não podíamos deixar de fazer a peregrinação a um santuário da engenharia portuguesa, que o Costa Quebrada tinha descolado para todos. Cahora Bassa. Um pouquito do Portugal radioso de que todos nos orgulhamos, para abafar o Portugal sombrio de fraca gente que actualmente temos. Guyamas Sonora (Beirut) traduz bem aquela viagem, aquele lugar, aqueles amigos, aqueles sorrisos. Cheguem-se para cá e sorriam connosco.

domingo, 14 de julho de 2013


Every morning, early in the morning, while the sun still rests...
Get up and move to the track, to take every possible minute of sunlight 
Long run in our yellow "Porsche" (the dreisin), getting on and off, on and off, on and off, leaving our legs absolutely dead. A corridor of war histories, with dammged rails, exploded bridges, abandoned carriages. Histories of an estrategic corridor to link North and South of Mozambique (to where i was about to go, at the beginning of my professional life). 
Histories of the colonial war and the followed civil war. 
Histories of pain and horror that are meant to be left behind. 
Histories of Africa's fight for independence and stability,
Histories that tell you about the uselessness of the war
Histories that brought up to my mind one of my heroes of youth, Steve Biko. I keep the movie in my brain and the immortal tribute to him (composed by Peter Gabriel) in my heart. I leave you with this song while going through a less known Africa, from Sena to Tete,  as a cry out loud of the uselessness of wars.

An African Cross-Country - Sena-tete from nunocruz on Vimeo.
Todas as manhãs, antes ainda da alvorada do dia, saltava-mos da cama e marchava-mos para a linha com o intuito de aproveitar todas as horas de luz e a "janela" que tinhamos de via aberta. 
Longa caminhada no nosso "Porsche" amarelo (a dreisin), saltando abaixo, subindo, e saltando abaixo de novo e de novo subindo, num interminável movimento de paragens e inspecções e novos arranques, que deixavam as nossas pobres "canetas" num estado pouco mais que deplorável.
Um corredor de histórias de guerra numa faixa estratégica na ligação entre o Norte e o Sul de Moçambique,  ilustradas pelos carris retorcidos, carruagens descarriladas e abandonadas, pontes dinamitadas e tantos outros sinais da dor e dos horrores ali vividos. 
Enfim, histórias que provam a inutilidade da guerra e me trazem à memória um dos meus herois de juventude, Steve Biko. Vi o filme de que guardo a história no meu cérebro e a imortal música (composta pelo Peter Gabriel) no meu coração. Deixo-vos com esse som enquanto atravessam connosco uma África menos conhecida, entre Sena e Tete, num grito sobre a inutilidade da guerra.

quarta-feira, 10 de julho de 2013



Lao Tsé said once that if you work in something you like, you will never have to work a single day in your life. I would go a bit further on (i´m sorry if i may seem arrogant) and say if you do that in team you will get the best of life. The history of this African cross country I start posting today is a magnificent foreseeing of that. Four people who hardly know each other, 

Francisco “Comodoro” Asseiceiro, the captain of the expedition
Eduardo “Broken Back” Fortunato, the Guru of Platforms
Elsa “Das Águas” Alves, the holy mother of Waters
Nuno “Miracles” Cruz, the wizard that could feel the soils and with a single clap of his hands, miracles could happen,

together in a hard mission of 500km of inspection of a railway line between Beira and Tete (Mozambique) for its rehabilitation. Twelve days of hard travel that the four were able to transform in a journey as efficient as delightful, as honest as tasty, as skilled as glorious. A overwhelming trip cross countrying through Africa, far from cities, lodges or touristic attractions. Nothing but the line and rail stations lost in the middle of nowhere. Four lifes melting tracks, four friendships blowing up. I thank that to my journey partners, as a birthdate gift, which happens to be today

Beginning of journey with the sweet voice and words of Vivianne (Life is not enough), touring around Beira, between food shopping and preparation. It came up to our minds, the memories brought by ancesters of ours with their histories of other times. Everything that was told is still in there. Although degradated, we could tell what life there should have been, and foresee the future that may arise.

Before dawn, when the day was still asleep, we jump into a 4x4 with a previously prepared breakfast between hands and left for Dondo (station outside Beira) where the Atacadeira (Rail working vehicle) for the next 300 km where waiting for us. Then, Tchuk-Tchuk, Tchuk-Tchuk, at the rhythm of Penguin Café Orchestra (Dirt e Paul’s Dance).

I'll see you in the next chapter. from Sena to Tete, with Peter Gabriel

CROSS COUNTRY IN AFRICA - From Beira to Sena from nunocruz on Vimeo.

Lao Tsé disse que se fizeres aquilo que gostas não terás de trabalhar um único dia na tua vida. Eu acrescentaria (passe a presunção) que se o fizeres em equipa alcançarás a plenitude. A história de um corta-mato em África que começo hoje a publicar é um magnífico vislumbre do que acaba de ser dito. Quatro pessoas que mal se conheciam, 

Francisco “Comodoro” Asseiceiro, o comandante da expedição
Eduardo “Costa Quebrada” Fortunato, o Guru da Plataforma
Elsa “Das Águas” Alves, a Nossa Senhora das Águas
Nuno “Milagreiro” Cruz, o bruxo que sentia terrenos e que com um simples bater de palmas fazia milagres acontecerem

juntas na desgastante missão de ter de levantar 500 km de linha férrea entre Beira e Téte (Moçambique), para posterior melhoramento. Doze dias de viagem tão eficiente quanto aprazível, tão honesta quanto bem-disposta, tão competente quanto gloriosa. Uma viagem deslumbrante, de 4 amigos feitos entretanto, corta-matando através de uma África pura e dura, longe das cidades, dos lodges ou de atracções turísticas. Uma aventura que sinceramente agradeço aos meus parceiros de jornada e considero uma espécie de prenda de anos pelo meu aniversário que acontece ser hoje.

Inicio de jornada na Beira, ao sabor da doce voz de Vivianne (a vida não chega), com uma tarde para dar uma volta pela cidade, entre as compras de viveres e preparação da jornada, em que ressaltou a memória que antepassados nossos trouxeram até nós. Está lá tudo e, embora degradada, adivinha-se aquilo que deve ter sido a vida por ali e antevê-se aquilo que pode vir a ser de novo.

De madrugada ainda o dia dormia, saltar da cama e atirar-se para dentro da 4X4 que nos deixaria na estação de Dondo (à saída da Beira), onde esperava a “atacadeira” em que nos transportaríamos nos 300 km que nos separavam de Sena. Tchuk-Tchuk, Tchuk-Tchuk, ribombando linha fora na cadencia dos Penguin Café Orchestra (Dirt e Paul’s Dance).

Vemo-nos no próximo post, de Sena a Tete com o Peter Gabriel

terça-feira, 28 de maio de 2013



And to finish a a travel in beauty, nothing better than a promenade in the beach in Leba. The great shifting  dune that is swallowing the forest was a training camp for Rommel and its men when preparing to go to Africa. A beach in Poland, a dune in Poland? i was caught by surprise. It is worth to drop by. Enjoy the site with the music of Maria Peszek (Polish), again recomended by Maciej.

I´ll see you soon

IRREPRESSABLE POLAND - Leba from nunocruz on Vimeo.

E para acabar uma viagem em beleza nada como cair redondo na praia e gozar as delicias de nada fazer. Foi isso que acabei a fazer em Leba para lá da espantosa duna que abafa a floresta, que serviu de campo de treino de Rommel, antes de avançar para África. Uma praia e uma duna na Polónia? Fui completamente apanhado de surpresa. Apreciem o local com a musica de Maria Peszek (Polish), recomendada pelo Maciej.

Até à próxima aventura

sábado, 25 de maio de 2013


(this post is specially dedicated to my brother Manel Cruz)

Gdansk, besides its importance in social and economics of the Pomerania through the times, is a symbol of fight for freedom, at least for my generation. In fact, i remember quite clearly the courageous fight and the uprising of the movement Solidarity under the leadership of Lech Walesa that emerged a few years later than our own revolution. Both were peaceful revolutions, both against tyranny, one from communism the other against a certain form of fascism.  Solidarity reached an impressive 9.5 million members (1/3 of the total working age population of Poland), more than the entire Portuguese population at the time. Despite several years of political repression under martial law, they peacefully forced the government to negotiate with them. It is also important to remember the role of the Catholic Church, a very powerful supporter of the union greatly responsible for its success, under the leadership of Pope John Paul II and the priest Jerzy Popieluszko, who regularly gave sermons to the striking workers, killed by the Communist regime for his association with Solidarity.
Solidarity's influence led to the intensification and spread of anti-communist ideals and movements throughout the countries of the Eastern Bloc, weakening their communist governments, making the beginning of the iron curtain fall. Its influence is still living today, strongly inspiring and influencing the protests of the Arab Spring. 
Unfortunately, the fall of the iron curtain gave place to this selvatic and corrupt capitalism we are sinking into, which is eating all the hope for a sustainable, balanced, peaceful and SOLIDARY life. I cannot avoid thinking how much we are needed, in Portugal, in Europe, in the world, of the ideals of that movement, before we start shooting randomly each other. And i think we are dramatically close to that.  

Walk around the city with the sound of Kult Unplugged (Mieszkam w Polsce), referred by a recent polish friend (Maciej) as the best song about Poland in our days. 
Hope you like it

(Este post é especialmente dedicado ao meu Bro Manel Cruz)

Para além da importância que a cidade tem vindo a ter ao longo dos séculos da sua existência, Gdansk, é sem dúvida alguma um símbolo da luta pela liberdade, que sem qualquer dúvida a minha  da geração reconhece. Lembro-me como se fosse hoje da corajosa e pacifica luta do movimento Solidariedade, liderado por um insuspeito e anti-herói Lech Walesa (uma das coisas que ainda hoje me faz sentir um enorme respeito por ele, porque sempre tive para mim que o verdadeiro herói é o anti-heroi), que emergiu poucos anos após a nossa revolução. As duas revoluções pacíficas, as duas contra a tirania, uma da direita outra da esquerda (mostrando claramente que não existe diferença alguma entre ambas).
O Solidariedade atingiu nessa altura um impressionante número de membros de 9,5 milhões, mais do que a população portuguesa desse tempo e cerca de 1/3 da classe trabalhadora polaca. Apesar da repressão a que foram sujeitos, sob lei marcial, pacificamente obrigaram o governo a negociar com eles, para o que muito contribuiu a Igreja Polaca sob a liderança daquele que haveria mais tarde de se tornar no Papa João Paulo II. Desse tempo, impossível não falar do mártir Jerzy Popieluszko, o padre que mais pregava para os trabalhadores, morto pela secreta comunista. Lembro-me perfeitamente de imagens que passaram na nossa televisão de vigílias numa das principais igrejas de Gdansk. O Solidariedade, como todos sabemos, haveria de se tornar no movimento percussor do caminho da liberdade que acabaria por levar à queda da Cortina de Ferro e que, provando a riqueza das suas convicções, sobreviveria à própria história influenciando nos dias de hoje outras revoluções como a recente Primavera Árabe.
Como todos sabemos, o derrube da tirania comunista acabou por levar ao desenvolvimento da tirania capitalista, completamente selvagem e corrupta, que vai “comendo” toda a esperança que possamos ter numa sociedade justa, pacifica, equilibrada e SOLIDARIA. Por isso, não consigo deixar de pensar quão necessitados estamos, em Portugal, na Europa, no mundo, dos ideais desse movimento antes que nos desatemos a matar indiscriminadamente uns aos outros. E não estaremos tão longe disso quanto possamos pensar. 

Passeiem comigo por esses pensamentos com a musica de Kult Unplugged (Mieszkam w Polsce), recomendada por um amigo polaco que conheci recentemente (Maciej) que a refere como a melhor musica da actualidade sobre a Polónia. 
Espero que gostem

sexta-feira, 17 de maio de 2013


The Masurian Lakes
They call it the land of a thousand lakes (but the number of lakes is more than 3000) and it really is a fantastic place to fall in love with. Located in northeastern part of Poland, within the geographical region of Masuria, the Masurian Lake District had been elected as one of the 28 finalists of the New 7 Wonders. These lakes are remnants of the ice age (Pleistocene ice age, 10.000 years ago), when all of northeastern Poland and parts of Europe were covered by ice. Many of its hills are parts of moraines and many of its lakes aremoraine dammed lakes.
The Lakeland extends roughly 290 km eastwards from the lower Vistula (the river that crosses all the country dividing it in two, and shapes the contours of Krakow) to the Poland-Russia border, and occupies an area of roughly 52,000 square kilometres. It streches from the town of Węgorzewo in the north of the region, through Giżycko and Mikołajki, to Ruciane Nida in the south. The lakes are well connected by rivers and canals, forming an extensive system of waterways (12 canals, 8 rivers and 3 lochs). The 18th-century Masurian Canal links this system to theBaltic Sea.
Take a boat and flow between Giżycko, in the heart of the district, and Węgorzewo, in northern limit, with me and my polish “friends” from Andrzej Kurylewicz Organ Sextet (Damask) and enjoy one of the best spots of nature in Poland. It is really worth to visit

Irrepressable Poland - The Masurian Lakes from nunocruz on Vimeo.

Chamam-lhe a terra dos 1000 Lagos, mas na realidade o número é baixo para caracterizar o local (são mais de 3000). Um recanto natural de beleza impar. Localizado no Norte da Polonia, na região da Masuria, o local foi eleito um dos 28 finalistas das New 7 Wonders of Nature, o que por si só dá uma ideia da singularidade desta região, que se formou durante a idade do gelo do Pleistocenico (10.000 anos) que submergiu todo o norte da polónia e de vastas regiões da Europa. Em geral, tanto as elevações como a grande parte dos lagos são resultado da disposição de moreias formadas durante o degelo.
A área estende-se por cerca de 290 km para leste do Vistula (o rio que divide a Polónia na vertical e que passa em Cracóvia) até à fronteira com a Russia, e ocupa uma área de cerca de 52.000 Km2, enquadrada pela urbe de Węgorzewo, a norte, passando por Giżycko e Mikołajki, até Ruciane Nida no sul. Os lagos encontram-se ligados por rios e canais formando um sistema complexo de “auto-estradas” aquáticas que se ligam ao Báltico (no norte) pelo Masurian Canal.
 Venham lá daí, viajem comigo e os meus amigos polacos do Andrzej Kurylewicz Organ Sextet (Damask), num barquito entre Giżycko e Węgorzewo, e disfrutem de uma das principais manchas naturais da Polónia, que decididamente vale a pena visitar.

sábado, 11 de maio de 2013



If you ever be in Poland, don´t you dare to miss Malbork Castle, the largest Gothic Castle in Poland. Unesco World´s Heritage. Initially, the Castle defended Marienburg, but it became the capital of Teutonic order 1309. Something that will make you feel living in King Arthur's time. With Carl Orff and his Carmina Burana, which are perfect for the site.

Kisses and hugs

IRREPRESSABLE POLAND - Malbork from nunocruz on Vimeo.

Se alguma vez forem à Polónia, não se atrevam a deixar escapar o Castelo de Malbork, o maior dos castelos Góticos da Polónia. Patrimonio da Humanidade, pela Unesco. Inicialmente, o Castelo defendia a povoação de Marienburg, vindo mais tarde a tornar-se na capital da Ordem Teutónica. Uma coisa que vos fará sentir o tempo do Rei Artur. Com Carl Orff e a sua Carmina Burana, perfeitos para o local.

Beijos e abraços