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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

KAZAKITRAVELLIN - The Holy lakes

Borovoe, Kazakistan

Says the legend tha any country in the world has something special to present, astonishing beaches, awesome mountains, incredible rivers. And to Kazakistan, only steppe was given, which made them complain to God. And God, grabbed from the bottom of his hat a landscape of fantastic mountain cliffs diving into crystal waters, covered by trees and shrubs that were the home for several fishes, insects, birds and earth animals. And that, was naturally where we ended after crossing the infinity of the Kazak steppe. A wonderful time crossing that beautiful landscape, by the hand and the heart of Andres, an ex-soviet army fellow that stayed behind in that paradise after the soviet fall and got found of us. We share our canned sardines, he gave us back the smoked fish and his home made vodka, we shared revolutionary songs from our Portugal and his Russia, he took us all in his boats to the soul of the lake, blown by Our Friends (Mind Orchestra) and When Another Sun Shines (Innocent Bandits).
KAZAKISTRAVELLIN - The Holy lakes from nunocruz on Vimeo.
Diz a lenda que cada país do mundo tem qualquer coisa de belo para apresentar, desde praias a montanhas, a rios fabulosos, glaciares, mas ao Cazaquistão só teria sido dada a estepe, razão pela qual Deus foi questionado. Reconhecendo a sustentabilidade da questão, Deus num assomo magnânimo saca da cartola uma catrabanzada de promontórios mais ou menos escarpados, atapetou-lhes o piso com uma confortável vegetação, preencheu-lhe as depressões com lagos sagrados (Borovoe deriva de Auliekol, que significa lago sagrado) e povoou-lhes o espaço com um abundante reino animal. Borovoe é por isso inevitável no fim da travessia da estepe, atravessando-se inevitavelmente no nosso caminho. Magnificos dias cruzando aquela beleza, acompanhados pela hospitalidade de um russo, o Andres, ex-militar soviético que se deixou ficar por ali, e desta vez se encantou connosco. Trocamos sardinha enlatada por peixe seco, bebemos um home made Vodka, compartilhamos canções revolucionárias do nosso Portugal e da Rússia dele, deixamo-nos levar nos seus barcos pelo lago adentro ao sabor de Our Friends (Mind Orchestra) e When Another Sun Shines (Innocent Bandits).

sábado, 2 de dezembro de 2017

KAZAKITRAVELLIN - In Love with my Trains


Almaty - Astana by train

Wake up in the night, while dawn was still sleeping, with the sparkling that comes up to my pores when a train travel rises up in the horizon. His smooth and syncopated movement relax my full body, while the nowhere landscape existing between stations that slides way continuously in the window greatly stimulates my brain, my memories, my perception of the world history. Moreover, the train never confines my space and opens his doors in every station, giving me that sense of freedom on what my mind was built. That is why, the train has always been my preference for travelling.

Bubbles boil in my memory, the first travel on my own (15-16 years old) that started precisely in the mythic Portuguese Douro Railway line that follows the river with the same name, through a really incredible landscape that reports you to the origin of things. After that I have done the same with other two river lines (Tagus and Tua rivers), crossed Europe in the interail in my first big journey abroad, fell in love with La Trochita a historical coal train of the beginning of settlements in Patagónia, cut the Tramuntana (Mallorca Mountains) in a train that seemed to come out of a movie, and I was a lucky mother F… when, on my line of work at MOTA-ENGIL, I fell deep in the Nacala (Malawi) and Sena (Beira – Moatize, Mozambique) lines, within the coal railway paths, where I learn my love for Africa. Finally, i will have the Trans-Siberian and Orient Express lines permanently in my horizon, while i don´t slide on them.

The Famous Turk-Sib (Turkestan – Siberia) line, ended in 1930 passes through Almaty, and that was a temptation to me, but the path would get us away of Astana and Borovoie, marked destinations of our trip. As so, we picked up one parallel line that links the Turk-Sib and the Trans Siberean lines and passes through Almaty, Karaganda (important city of the coal) Astana, Borovoie before crossing the Russian border. Fantastic choice. 15 h riding in the immense infinity of the Kazak steppe, touching the incredible Laka Balkhash and mixing my nomad soul with the nomad nature of the country (the origin of the name Kazakistan was given by the neighbours to the nomads that live there and means those without ceiling), under the sounds of Monk Turner & Fascinoma (Watcha Doin) and Cletus Got Shot (Bummin Around)

The trip ended with our arrest by the local Police because we were caught smoking in a forbidden zone:
“Let´s scare them” was the tought of the entire guarrison of the station that surrounded us, threat us with a Gulag and finally freed us in a magnanimous gesture. And so, there was done another train trip that nobody can take away from me


Acordo ainda de noite com aquele fervor que uma boa viagem de comboio sempre me trás, desde que o meu corpo sabe o que é viajar. Relaxa-me a continua massagem para o meu corpo dada pelo seu ronronar sincopado e, simultaneamente, estimula-se-me o cérebro e a criatividade ao deslizar pelo nenhures que habitualmente existe entre estações. Sobretudo encanta-me que nunca me aprisione o espaço e a porta para sair se abra em todas as estações, emprestando uma sensação de liberdade tão a jeito da minha alma que nenhum outro meio de transporte consegue assegurar. Por isso, o comboio sempre esteve no meu top de preferências.

Borbulham na minha memória as primeiras férias que passei completamente por minha conta, ao redor dos meus 15-16 anos, partindo na mítica linha do Douro, que serpenteia pendurada na margem do rio com o mesmo nome em direcção à fronteira com Espanha. Verdadeiramente, foi essa a minha primeira viagem. Além dessa, que saboreei muitas vezes depois dessa primeira, deslizei por outras duas linhas que languidamente se espraiam na paisagem fluvial de 2 outros rios portugueses, o Tejo e Tua. Cruzei a Europa em inter-rail na primeira grande viagem para fora de Portugal. Deliciei o coração e definitivamente me apaixonei pelo comboio, na mítica La Trochita, um comboio a carvão que enriquece a paisagem de Esquel a Nahuel Pan, na Patagónia, e me fez viver a conquista do mundo novo. Cortei a Tramuntana, (complexo montanhoso que domina a ilha de Mallorca, Espanha) num comboio que parecia de brincar (ferrocarril de Soller). Por um par de vezes me caiu ao colo a felicidade de o meu trabalho na MOTA-ENGIL me ter atirado, primeiro para a linha de Nacala (troço no Malawi) e depois para a linha do Sena (Beira-Moatize, Moçambique), onde bebi o verdadeiro perfume de África e onde aprendi a amar esse fantástico continente. Além disso, persigo ainda, há anos, os 3 transiberianos e o Expresso do Oriente que, por ainda não concretizados, não me saem da cabeça.

Aqui à mão, tinha a famosa Turk-Sib (Turquestão-Sibéria) pensada para escoar o algodão e concluída em 1930, que passa precisamente em Almaty, mas o destino afastava-nos de Astana, um dos destinos da viagem. Saímos numa outra, paralela à primeira, que passa por Almaty, Karaganda (cidade mineira muito importante na economia do Cazaquistão) Astana, Borovoie, atravessando depois a fronteira em  às linhas Trans-Siberianas. Boa aposta porque a viagem foi espectacular. 15 horas cavalgando na imensidão infindável da estepe do Cazaquistão, tocando o incrível Lago Balkhash e mesclando o meu sentido nómada com a nómada natureza deste país. Essa natureza é, aliás, expressa no nome do país que significa "terra dos sem tecto", nome atribuído pelos países vizinhos aos povos nómadas que habitavam aquela zona. A sedentarização desses povos só viria a ocorrer com a regulação soviética, isto é, há cerca de 100 anos atrás. E nesse ritmo compassadamente romantico, lá fui disparando a minha Canon, captando o deslizar daquela paisagem, que agora embrulho com a música de Monk Turner & Fascinoma (Watcha Doin) e Cletus Got Shot (Bummin Around) 

No final, à chegada a Astana, esperava-nos a detenção policial por fumarmos fora do sítio. 
“Vamos lá pregar um susto aos moços”, pensou toda a guarnição policial da estação que nos rodeou, nos “ameaçou com um Gulag” e depois magnanimamente nos libertou. 
E assim se fez mais uma viagem que já ninguém me tira.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

KAZAKITRAVELLIN - High waters


Issyk and Big Almaty Lakes

There are no free lunches anymore, so they say.
There are only few, fewer and fewer, the politicians that don´t lie, that cheat the people, even those who elected them. And there is less public health, less justice, less education. Everything for the money. Shrinks with that the available persons who wish to set friendships without especting some favour, some money, some power, some what???. Sad thing, sad world. I keep going in another way, even though knowing that we cannot correct the world. But in my mathematics 0.05% resisting is better than 0%.
In this way I think that it won´t be long for having recently born paying to their parents that fuck that gave them the existence. Probably, with ATM machine at moment of birth. 
I fill my soul with the free sharing of such delicious friendship moments that rolls among us, within the awesome scenaries of the natural beauties of Issyk lake and Big Almaty lake (3000m), without anything to payback. With Edith Frost (Wonder wonder) whispering our hears and... a funny driver that we had for one day, that appeared and dissapeared into the fog as in any comic book.
Buuuuuuuuuueééééééé cool

Hugs


KAZAKITRAVELIN - The high lakes of Almaty from nunocruz on Vimeo.

Já não há almoços grátis
Já são poucos, muito poucos os políticos que não mentem, que não enganam todo o povo que os elege, em favor do próprio interesse
Já não há saúde competente, nem justiça justa, nem educação profunda e igual para todos. Tudo perdido em favor do Dinheiro
Encolhe com isso, cada vez mais, o número de pessoas dispostas a amizade sincera, sem esperar favores, sem querer um favor, um dinheiro, um poder ou um outro qualquer que ninguém se lembrou ainda. Neste rumo, penso que não demorará muito em que até os filhos terão de pagar aos pais a queca que lhes deu a existência. Se calhar com o ATM a ser a primeira coisa que o infante vê do mundo. Uma tristeza. Embora com sucesso limitado no que a mim diz respeito, a minha matemática diz-me que mais vale 0.05% num dos pratos da balança do que 0%.
Enche-me por isso a alma, o viver esse partilhar de vidas que rola na minha frente, deliciosamente desinteressada, descontraída, de gente que se gosta realmente, enquanto me pasmo com a beleza do Issyk Lake e do Big Almaty Lake, dois lagos de altitude que enchem “crateras” a 3000m de altitude. Com a Edith Frost (Wonder wonder) assobiando melodias nos nossos ouviditos e um fantástico motorista que atravessava o nevoeiro e surgia de todo lado como que saltando fora de uma banda desenhada qualquer. Muita Fixe

Abraços



sábado, 18 de novembro de 2017

KAZAKITRAVELIN - All the way up

Shymbulak, Kazakistan

I was born facing the immense ocean that gave me the soul to dare the glance beyond the horizon, the need of penetrating him called by the horizon that always lies after the horizon. I love the taste of the salty foam that refreshes my face and my days. I love its infinite infinity that enlarges my perspective. I love his flow movements, sometimes serene sometimes tempestuous in the syncope that makes life flow. It have fed my instincts since my first minute on earth, the ocean. Always in the horizon of the windows of my life.
With the ocean in the instinct and in the horizon, i grew up facing the mountains, taken by hand by my father all the way to the top, in great freedom flows. At every climb, at every conquered summit, more mountain spirit was (and is) installed in my soul, melting with the instinctive ocean already in there. I love the vertigo of heights and conquers, felt in the sweet loneliness crossed by the whistle of the wind singing throughout the mountain valleys or by the sound of water playing against the gravel river beds followed by the chorus that arise from the local birds. That is why the spelling call of the mountains is unavoidable for me, everytime the mountain cross my way. I just let myself embrace into a heady dance. That was what happened once more in Shymbulak, a ski resort installed in the mountains that guard Almaty. Blown by the sound of Mountain Top (by Cletus got shot) i jump with all my team into the amazing cable car that takes us up to a 3200m mountain spot. As I get there, my legs take the lead and walk me, on the rhythm of Ovulation (by Learning Music), to the deep heart of the mountain. 
I fill up my lounges with a happy air and, like a hornpipe, I release it back singing out loud with my friends songs of freedom. Come along with us and enjoy that nature
Nasci defronte para a imensidão do oceano, que me deu a alma para sempre espreitar além do horizonte, de querer penetrá-lo porque há sempre mais um para encarar. Adoro a espuma salgada que dele emana e me tempera os dias, a sua infinita imensidão que me alarga a perspectiva, o seu movimento ora sereno ora revolto que empresta o gradiente para a vida rolar. Alimenta-me o instinto desde sempre, o mar. Sempre no horizonte das janelas onde vivi
Com o mar no instinto e no horizonte, cresci também defronte da montanha, levado pela mão de meu pai por ela acima em fluxos de liberdade. A cada escalada, a cada cume atingido, mais um bocado de montanha se entranhava dentro de mim, mergulhando harmoniosamente no instintivo mar lá instalado. Adoro a vertigem da altitude e da conquista, sentida na solidão cortada pelo assobio do vento cantando pelos vales, no som da água resvalando pelos fundos cascalhentos, acompanhada pelo coro que sai do papo dos pássaros que compõem o habitat. Por isso, o chamamento da montanha é incontornável para mim. Sempre que a tenho próximo, deixo-me conduzir serenamente por ela num bailado inebriante. Foi assim, uma vez mais, em Shymbulak, uma estância de neve instalada nas montanhas que protegem Almaty, ali mesmo à mão. Sob o som de Mountain Top (by Cletus got shot) salto com a restante troupe para dentro de teleférico e ascendo ao fim da linha, a 3200m de altitude onde apenas está a montanha servida por um bar-abrigo que aquece o corpo e a alma dos viajantes daquelas paragens. Num movimento sincopado com Ovulation (by Learning Music), as minhas pernas saltam do teleférico e compassadamente põem-se em marcha montanha dentro. Enche-se-me o peito de ar feliz e, tal como uma gaita de foles, liberto-o em seguida com os parceiros de caminhada cantando canções de liberdade a plenos pulmões.