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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

a WHEREVER LOVE - Happy drops within dark clouds

Savane, Mozambique

The bike hasn’t stop rolling after all. Not at all. The glance of water world (last movie) was not more than a quick glance given by a drop that smashed into my crazy uncontrolled path. A happy drop within the dark cloud I am in. 
But the thoughness of the way is still there, has it was before. Only now, I have a glance of how to get the necessary balance, which has been always there, although I could not see it. Truly, I start to understand that within this dark horizons there are millions of loose drops filled with colour, happiness and balance that you only have to catch. And every time I bump into one, it splashs around colouring all the picture where I am standing.

With surprise I understand that balance is not in the bike but in myself. The bike doesn´t fall by itself. It is me in my inability that create the instability. In fact, it is enough to deviate the look from the ground, from the wheel, from the bike, towards the horizon to have a good look of those millions of drops and everything get balanced. This time I bump into the life of Mozambican fishermen dancing for me in their labour with the music Everything Already de Monk Turner & Fascinoma (http://www.monkturner.com).

Kisses & hugs


a WHEREVER LOVE - Happy drops within dark clouds from nunocruz on Vimeo.

A bicicleta afinal não parou de rolar, à mesma incrível velocidade. A vida subaquática (do ultimo filme) não passou de um vislumbre que me chegou de uma gota que esbarrou na minha trajetória louca de movimento descontrolado. Uma gota de felicidade perdida no meio do horizonte confuso em que me encontro.
A dificuldade do caminho está lá toda intacta, nada mudou, apenas conquistei uma forma de equilíbrio que esteve lá todo tempo, mas que eu não tinha conseguido enxergar. Na verdade, começo a aperceber-me que no meio do horizonte mais negro existem gotas coloridas carregadas de coisas boas em movimentos aleatórios. Estão lá, só temos que as agarrar. E de cada vez que cada uma esbarra comigo transmite toda a sua côr, alegria, felicidade e equilibrio ao quadro em que me encontro. Com surpresa acabo por perceber que o equilíbrio em cima da bicicleta naquela correria louca é possível e não está na bicicleta, mas em mim próprio. A bicicleta não cai sozinha, sou eu que torno o equilíbrio precário com a minha azelhice. Mas basta desviar o olhar da bicicleta, do guiador, do terreno que desliza sob “nós”, para o horizonte onde planam milhares dessas gotas, e tudo se equilibra. Como num navio em mar revolto, tudo abana, mas o horizonte não. Está lá, estável servindo de ponto de equilíbrio. Instintivamente, tiro os olhos do chão em que rolo e apanho no ar outra gota que me pinta o cenário novamente da cor que me faz falta. Desta vez, mergulho na vida dos pescadores de moçambique que na sua labuta dançam para mim ao sabor do mar e da musica Everything Already de Monk Turner & Fascinoma (http://www.monkturner.com). 

beijos & abraços

sexta-feira, 6 de junho de 2014

KISSING AFRICA - The City of 1000 Hopes

Beira

I land in Beira. Once again, Silvia is wating for me, this time with a long time friend with whom i worked in some curious engineering processes, and with whom i have work to do around here. 

I face th city with curiosity and with the need of diving into her. It is a new start, that passes by here. I have a house here. The city opens slightly the door of my soul and look deep inside of me. I look for intimacy, i look for similarities. I found them easily, with the Granja-Aguda-Miramar, where i live. The same time represented in their houses and its urban ideas. One is brand new, the other is quite degradated, but both breathing out the same time of our history. I find also the same spirit of a city that oposes to institutional powers. Like Porto, where i was born. More dificulties, less income from a central power that discriminates, but holding a strong personality and culture. I feel good with this intimacy.

I walk, as much as i can, through the city, trying to assimilate every single detail. I fell in love with coast line with their houses and bars, Beira-Rio, Biques, Tuga, Luna-Mar, reminding me of my youth spend in the beach side, in Foz, in Porto. I move on to the historical center, carying in my mind my ancesters that lived here. I seat at the Riviera, where surely they have seat so many times. I can see its past, i foresee its future, which will melt together, further on.

I go back to the beach, to Estoril Light House. Step by step i walk the beach towards the fishermen place. With Silvia and Fernando, brotherized by the same paths and same curves of the way. I feel the sweet melancolie that touches almost every emigrant. A new adventure is arising and, as usual, i have 1000 hopes. Hope for a happy movement, hope for a stimule, hope to overcome the tireness, hope to keep my familiar cluster. I choose Thindersticks (Lets Pretend) and Andrew Bird (Solvay) to bring light to this movement. Fernando choose Yiruma (Kiss the Rain), so perfect for that movement in the beach.

I leave again, leaving Silvia and Fernando. A tear drop roll down in my face, with those sounds in my head. For Silvia and for Fernando. See you soon  


KISSING AFRICA - The city of 1000 hopes from nunocruz on Vimeo.

Aterro na Beira. Á minha espera, outro amigo de longa data, o Fernando. Gonçalves, com quem fiz engenheirices curiosas e com quem me preparo para atacar outra obra. Com ele a Silvia, uma vez mais. Que bom, que bom.

Encaro a cidade com curiosidade e com necessidade de mergulhar nela. É o inicio de um novo caminho, que passa por aqui. Tenho uma casa aqui, agora, para a certa itinerancia intermitente. A cidade entreabre a porta do meu coração, e espreita lá bem para dentro de mim. Procuro semelhanças, intimidades. Encontro-as facilmente, com o eixo Granja-Aguda-Miramar. A mesma época retratada, uma mais cuidada, outra mais degradada, mas as duas exalam da sua estrutura outros tempos, que são os mesmos. Encontro outro paralelo com o Porto onde nasci. Duas cidades de contrapoder, com tudo o que isso implica. Mais dificuldades, menos benefícios face a um poder central que discrimina, mas uma personalidade forte na sua sociedade, na sua cultura. Deleito-me com essa intimidade que começo a sentir

Deambulo o mais que posso, procurando beber tudo o que ela tem. Encanta-me a marginal, o Beira-Rio, o Biques, o Tuga, o Luna-Mar, que me trazem mais memórias da minha infância passada à beira-mar, na Foz, no Porto. Prossigo para o centro histórico, carregando na minha alma os meus tios que por aqui passaram. Sentado no Riviera, um clássico do nosso tempo por lá onde eles de certeza muitas vezes se sentaram, adivinho o passado, antevejo-lhe o futuro que, estou certo, se mesclarará com o passado. 

Volto à praia, ao Farol do Estoril. Passo a passo calcorreio a praia até à zona dos pescadores. Com o Fernando e com a Silvia, irmanados nos destinos e nas curvas do caminho. Sinto invadir-me a doce melancolia que assola qualquer emigrante. Eu itinerante, eles mais permanentes, mas com idênticos percursos. Ora estamos cá, ora estamos lá. O mesmo designio. Uma vida nova que se desenha, um horizonte para perscutar, um estimulo para responder, um cansaço para ultrapassar, uma saudade para saborear, um cluster (familiar) para manter em rumo. Enfim, um salto para outra aventura, que traz 1000 esperanças. Escolho Thindersticks (Lets Pretend) e Andrew Bird (Solvay) para nos acompanhar. O Fernando escolhe ainda Yiruma (Kiss the Rain), tão em modo daquele passeio na praia, 

Parto de novo, deixando a Silvia com o Fernando. Verto uma lágrima, com aquelas notas pairando na minha cabeça. Por um e por outro. Até já

sexta-feira, 30 de maio de 2014

KISSING AFRICA - A Sweet Slide in Rio Savane

Rio Savane

Fernando had to go back, to Maputo. We, the Cruzes, Jorge and me kept on moving. Luis, one more recent emigrant, also digging a future. Silvia rejoined, what a joy. Together we followed that straight road. one tasteful 1h30 to go 30 km and slide into the Rio Savane and end in a sandy platform to acess the ocean in an true spot for peace and harmony. I felt free and balanced. I felt the relieve of feeling it.
From there (Mozambique) i look back (to Portugal, Europe). I foresee a hope, from the results of recent elections. A complete storm, maybe the beginning of a re-set. I don´t know, but i hope. I hope, because we need ideals. Not new forms for the same path, a path that have already lost the soul.

Ideals are the oxygen for heartbeat of civilizations. 

Without them, we will disappear, sooner or later.
I abandon myself to the place, with my friends, and idealize. With Grizzly Bear (All we ask). I see a light at the end of my sigth... Might be something...I hope


KISSING AFRICA - Rio Savane from nunocruz on Vimeo.

O Fernando ficou para trás, teve de regressar a Maputo. Emergencia. Ficaram os Cruzes, uma vez mais Chegou-se o Luis, também ele recêm chegado à emigrância, também ele a tatear um futuro. Re-chegou-se a Silvia, que bom. Juntos corremos aquela estrada rectilinea, carregada de perigos (rodoviários) mil. 1h30 para saborear 30 km e desaguar no rio Savane, saltando-o para o outro lado, para uma língua de areia plena de paz e harmonia. Indescritivel a sensação de liberdade e equilíbrio. Sinto o alivio de sentir isso 
De lá olho para cá. Vislumbro uma esperança nos resultados eleitorais, de que comecemos todos a acordar e a ir ao âmago da questão. A barafunda que o voto criou. Um que ganha mas não consegue falar mais do que na derrota do adversário, o outro que perde, mas parece que ganha, esboçando um sorriso confiante na vitória que se seguirá, sem compreender sequer (a ser verdade o meu anseio) que não tem razões nenhumas para sorrir. Nenhumissimas. Nem eles nem todos os outros (suspeito que mesmo aqueles que parece que ganharam)  Porque o problema é saber para que serve um partido politico se não houver ideais. Apenas execuções, planos, formas e tudo acaba num poço de intrigas palacianas de jogos de poder que circulam apenas em torno do próprio bolso, tirando despudoradamente o mais que se pode. No limite, acabarão a ter apenas os votos daqueles que tem (ou pensam ter) uma vantagem à espera, no caso de vitória. Mas cada vez são menos os que se deixam ofuscar por essas falácias cada vez mais tontas, mais assustadoramente enfadonhas, falhas de criatividade, plenas de superficialidade. A abstenção é inequivoca de um não se rever em nada que existe à disposição, da esquerda há direita. 
E no fundo, no fundo, o problema está simplesmente na ausência de ideiais a que a sociedade no seu todo sucumbiu. 

Os ideiais são o oxigénio do pulsar das civilizações

Sem eles, simplesmente desapareceremos. Inventemos, pois. Criemos algo em que nos revejamos. 
Abandono-me ao local e idealizo, com Grizzly Bear (All we ask). Vislumbro uma luz lá no fim da minha vista... Talvez seja algo...Desejo

quarta-feira, 10 de julho de 2013

AN AFRICAN CROSS COUNTRY - From Beira to Sena

Mozambique

Lao Tsé said once that if you work in something you like, you will never have to work a single day in your life. I would go a bit further on (i´m sorry if i may seem arrogant) and say if you do that in team you will get the best of life. The history of this African cross country I start posting today is a magnificent foreseeing of that. Four people who hardly know each other, 

Francisco “Comodoro” Asseiceiro, the captain of the expedition
Eduardo “Broken Back” Fortunato, the Guru of Platforms
Elsa “Das Águas” Alves, the holy mother of Waters
Nuno “Miracles” Cruz, the wizard that could feel the soils and with a single clap of his hands, miracles could happen,

together in a hard mission of 500km of inspection of a railway line between Beira and Tete (Mozambique) for its rehabilitation. Twelve days of hard travel that the four were able to transform in a journey as efficient as delightful, as honest as tasty, as skilled as glorious. A overwhelming trip cross countrying through Africa, far from cities, lodges or touristic attractions. Nothing but the line and rail stations lost in the middle of nowhere. Four lifes melting tracks, four friendships blowing up. I thank that to my journey partners, as a birthdate gift, which happens to be today

Beginning of journey with the sweet voice and words of Vivianne (Life is not enough), touring around Beira, between food shopping and preparation. It came up to our minds, the memories brought by ancesters of ours with their histories of other times. Everything that was told is still in there. Although degradated, we could tell what life there should have been, and foresee the future that may arise.

Before dawn, when the day was still asleep, we jump into a 4x4 with a previously prepared breakfast between hands and left for Dondo (station outside Beira) where the Atacadeira (Rail working vehicle) for the next 300 km where waiting for us. Then, Tchuk-Tchuk, Tchuk-Tchuk, at the rhythm of Penguin Café Orchestra (Dirt e Paul’s Dance).

I'll see you in the next chapter. from Sena to Tete, with Peter Gabriel


CROSS COUNTRY IN AFRICA - From Beira to Sena from nunocruz on Vimeo.

Lao Tsé disse que se fizeres aquilo que gostas não terás de trabalhar um único dia na tua vida. Eu acrescentaria (passe a presunção) que se o fizeres em equipa alcançarás a plenitude. A história de um corta-mato em África que começo hoje a publicar é um magnífico vislumbre do que acaba de ser dito. Quatro pessoas que mal se conheciam, 

Francisco “Comodoro” Asseiceiro, o comandante da expedição
Eduardo “Costa Quebrada” Fortunato, o Guru da Plataforma
Elsa “Das Águas” Alves, a Nossa Senhora das Águas
Nuno “Milagreiro” Cruz, o bruxo que sentia terrenos e que com um simples bater de palmas fazia milagres acontecerem



juntas na desgastante missão de ter de levantar 500 km de linha férrea entre Beira e Téte (Moçambique), para posterior melhoramento. Doze dias de viagem tão eficiente quanto aprazível, tão honesta quanto bem-disposta, tão competente quanto gloriosa. Uma viagem deslumbrante, de 4 amigos feitos entretanto, corta-matando através de uma África pura e dura, longe das cidades, dos lodges ou de atracções turísticas. Uma aventura que sinceramente agradeço aos meus parceiros de jornada e considero uma espécie de prenda de anos pelo meu aniversário que acontece ser hoje.

Inicio de jornada na Beira, ao sabor da doce voz de Vivianne (a vida não chega), com uma tarde para dar uma volta pela cidade, entre as compras de viveres e preparação da jornada, em que ressaltou a memória que antepassados nossos trouxeram até nós. Está lá tudo e, embora degradada, adivinha-se aquilo que deve ter sido a vida por ali e antevê-se aquilo que pode vir a ser de novo.


De madrugada ainda o dia dormia, saltar da cama e atirar-se para dentro da 4X4 que nos deixaria na estação de Dondo (à saída da Beira), onde esperava a “atacadeira” em que nos transportaríamos nos 300 km que nos separavam de Sena. Tchuk-Tchuk, Tchuk-Tchuk, ribombando linha fora na cadencia dos Penguin Café Orchestra (Dirt e Paul’s Dance).

Vemo-nos no próximo post, de Sena a Tete com o Peter Gabriel