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quarta-feira, 18 de julho de 2012

MAKTOUB - Carpe Diem, no matter what

Erg Chegaga - Zagora

We left in the morning, while it was fresh, from Erg Chegaga to Zagora, a city located at the end of Draa valley, which is a common stop for 4x4 expeditions to the Sahara, famous even among the Dakar world because of its high concentration of mechanics specialized in 4x4 vehicles. It was to there that our jeep was sent, to Garage du Sahara, owned by an old friend (Abdul) of my companions. 250 km of tracks through a special and amazing scenery that transport you to the real sense of adventure. A travel with the companionship of Cler Achel from Tinariwen, a Malian music group. Since the day before that me and my Migo were traveling in separate jeeps, him with the health care team, me with the mechanics team. That boring misfunction had left us in foot, right in the moment that we were about to start driving in the desert. In the first moment it was like a punch in a nose, especially for Migo, which was later smoothed by the entire expedition, which made an effort to confort us, and by the amazing landscape we had the chance to travel through. I really could understand the disappointment of Migo, due to parallel situations I have been living in my professional way, after my PhD (a huge work that late become in a desert of expectations, mainly due to the world crisis). But the situation would show us that what really matters is the way and the intensity we live our moments, rather than what our expectations are. And that, depends mainly in your soul. Despite the mechanical problem, the travel was intense amazing and fantastic, and nothing really important was lost. We both understood that.
And so, we arrived in Zagora, passing by the famous plate that inform you the distance to Tombouctu (50 days), by camel or by foot, on the other side of the desert. A trip that I have been looking for to do for a long time, since the day I met Hassan, the caravan guide that took Alberto Vasquez Figueroa when he was preparing his magnificent novel (Tuareg) that tells you about the amazing culture and life of the people of the desert. He invited me to go with him. The problem is to find 50 days of holidays. At the arrival, there was our jeep ready to join the adventure again, in the garage du Sahara where we were welcome by a smiley Abdul. And from there, we calmly moved to the refreshing hotel, an oasis in the desert, that José Zambujal (Organizing board) had picked up for us, spending the whole afternoon relaxing our tired bodies in the swimming pool, while floating with Moby (Rushing).


MAKTOUB - 50 days to Tombouctou from nunocruz on Vimeo.

Abalamos pela fresca da manhã do Erg Chegaga em direcção a Zagora, localizada à saída do vale do Draa, ponto de paragem obrigatória para quem circula pelo deserto, famosa até entre os pilotos do Dakar dada a enorme concentração de oficinas especializadas em veículos todo o terreno. Foi para aí que foi o nosso Jeep, para a Garage Sahara, de um velho amigo do pessoal da expedição, o Abdul. 250 km de pista por terrenos inóspitos de uma beleza impar, daquelas que transmitem de imediato o senso de aventura, que aqui faço acompanhar com Cler Achel de um agrupamento Maliano muito famoso (Tinariwen). Desde o dia anterior que viajávamos eu e o meu Migo, em carros separados. Ele no jeep da equipa médica, eu no dos mecânicos. Aquela arreliante avaria tinha-nos apeado na entrada do deserto, logo onde seria maior o prazer da condução. No primeiro momento isso tinha sido como um murro no estômago, sobretudo para o Migo, que viria a ser amenizado por todo o “povo” da expedição que desde logo se preocupou em nos acarinhar e, sobretudo pela preenchente beleza daquele trajecto. Eu particularmente, compreendia bem o Miguel por evidentes paralelismos da minha vida profissional pós-doutoramento (uma aposta e esforço enorme na execução do meu doutoramento, que por consequência da famigerada crise que se instalou se desviou brutalmente das naturais expectativas). Mas tudo aquilo teve o condão de demonstrar que o que importa realmente é o trajecto que se fez e o partido que dele se tirou, e não propriamente viver o que se pre-determinou. E essa intensidade depende sobretudo da alma de cada um. Foi isso mesmo que aconteceu. Mau grado a avaria do carro, a viagem foi intensa, peripécica, preenchente e nada de importante se perdeu. Percebemos bem isso, os dois. Eu concerteza que ganhei muito com a camaradagem mais profunda com o Luis e a Lu. Finalmente lá chegamos a Zagora, passando pela famosa placa local que indica os 50 dias necessários para atravessar de camelo ou a pé o deserto até à outra ponta em Tombouctu no Mali. Uma viagem que anseio fazer desde há muito, quando numa passagem anterior conheci (em Tinhirir) o Hassan, o condutor de caravanas de camelos que levou o Alberto Vasquez Figueiroa nesse mesmo trajecto para ele escrever esse livro magnifico –Tuareg- que tão bem espelha a cultura e a vida desse impressionante povo do deserto. O problema sempre foi encontrar maneira de tirar 50 dias de férias, porque o convite surgiu logo ali.
Fomos direitos à Garage du Sahara para limpar filtros e pequenos consertos de ocasião, e levantar o nosso Discovery, já prontinho para reentrar na aventura. E de lá saltamos para o refrescante hotel que o Zé Zambujal escolhera para nós (na sua função de organizador), autentico oásis no deserto, onde abandonamos o corpo cansado e seco na piscina, embalados ao som de Moby (Rushing).

sexta-feira, 13 de julho de 2012

MAKTOUB - Erg Chegaga


And there were we, entering the land so desired for all the expedition mates. The troubling Dakarian routes with wide horizons and disguised tracks and the emotion of driving in the dunes, towards a very fine camping ready for us, planted in the heart of Sahara, in the Erg Chegaga. This, after some misadventures that made us loose our 4x4 vehicle and redistribute people and bags for the other 5 vehicles of the expedition. Never mind, misadventures are definitively part of the adventure, and we were promised to have it back next day in Zagora.
From that day, the strong registration is related to the movement through that magnificent and inspiring landscape as well as the people that incredibly crossed our way coming out from nowhere (so usual in that part of Morocco), until we felt down on the sand in the clearance between tends where we would sleep later. Letting ourselves to be trespassed by the sun, the sand and the happiness, emerged once again by the incredible versatile music of Nitin Sawhney (Prophesy, Footsteps e Nadia). A good fortune, the chance of simply being there. I have with me the conviction that the desert, the ocean and the iced land of Polar circle (i was there a decade ago) have something strongly in common – the possibility that those environments generate for you to be with yourself. Even if you are among other people, you will be touched by that pleasant loneliness in deepest part of your soul. As consequence, it came to my mind the rush we are forced to live nowadays, leading to a life lived in a glimpse and denying the possibility of properly tasting it. That will be not worthy. I am quite certain.
There is always a time to rush and a time to stop, a time to make the effort and a time to rest, a time to do and a time to reflect and to do it again. Think about that.


MAKTOUB - Erg Chegaga from nunocruz on Vimeo.

E ai estávamos nós, entrando no terreno tão desejado por toda a expedição. Por entre as trepidantes pistas Dakarianas com horizonte largo e trajectos pouco assinalados e a emoção de conduzir em duna, lá chegamos a um acampamento preparadinho para nós, plantado em pleno Sahara, no Erg Chegaga. Depois de algumas desventuras, que para haver aventura tem sempre de haver desventura, que nos fizeram ficar apeados (junta da colaça à vida no nosso Jeep) e obrigaram a uma redistribuição nossa e da nossa bagagem pelos restantes jeeps da expedição, lá chegamos ao Erg Chegaga. Do jeep, ficava a promessa de recuperá-lo no dia seguinte em Zagora.
Desse dia fica sobretudo registado o movimento através daquela paisagem e das gentes que nos saltaram ao caminho vindos do nada (é incrível como num terreno arido e plano onde não se vê ninguém, mal se pára, logo silhuetas andantes se recortam no horizonte) até cair na areia da “praça” central delimitada pelas tendas onde haveríamos de dormir. Indolentemente, deixamos o sol e o vento trespassar o nosso corpo e a magnífica e serena paisagem do deserto emergir nos nossos olhos até lá bem fundo na alma. Tudo, uma vez mais acompanhado com a incrivelmente versátil musica do Nitin Sawhney (Prophesy, Footsteps e Nadia).
Fluiu a conversa descontraída, o riso e a felicidade plena de simplesmente poder estar ali. Tenho para mim que o deserto, o mar alto e as estepes geladas do círculo polar (onde estive há uns 10 anos atrás) tem um ponto comum. São locais em que cada ser individual se encontra com a sua mais profunda existência. Até pode estar em grupo, que essa agradável solidão assalta-nos da mesma forma. Com efeito, a imensidão desses locais  emana uma essência que tudo atravessa até se instalar no nível mais profundo (inconsciente) do ser humano, devolvendo-lhe a identidade plena.
Um dia como esse traz à mente a pressa em que cada vez mais somos impelidos a viver o dia-a-dia, que nos consome a vida num ápice e que nos impede de saborear devidamente a nossa existência. Definitivamente, NÃO VALE A PENA DESPEDIÇÁ-LA DESSE MODO..
Há sempre um tempo para correr e outro para ficar parado, um tempo para esforçar e outro para descansar, um tempo para fazer e outro para reflectir e outro ainda para fazer de novo. Pensem bem nisso.