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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

THE FLIGHT OF THE CONDOR - Returning to the Kaypacha

And there above, closer to Hananpacha, we looked down and we saw it. We saw life as whole, we saw our sinuous paths, those we had walked and those we are about to. And we saw the joy of those pieces of life, of the life of the other, we have been involved in. Over all we saw, that what it really matters in one’s life is exactly what no one can take away from you. The life we have lived, that is, what you really are. Absorbing once more all that peace and tranquility, we started the return to our Kaypacha, because it was time to. We flew out the air from our lounges and slowly slide down until we smoothly landed on Trujillo. At distance we could saw, in a glink of an eye, a smiley Nelson Mandela sliding up to the Hanapacha.
With the Condores keeping their wings over our track, guaranteeing that we would return safe to our Kaypacha. We said good bye to them with Scarborough fair (Simon and Gurfunkel) and with Gently Weeps (Beatles) we put an end on that adventure. A fine dinner for two, watching the sun slowly falling on the horizon and melting that piece of life in our souls, while Luis was defining the soundtrack of the movie that would be produced by myself later on. Two hearts, one soul.

E lá em cima mais perto do Hananpacha, olhamos para baixo e vimos. Vimos a vida num todo, vimos os sinuosos percursos que fizemos e aqueles que teríamos ainda de fazer, e vimos a alegria dos bocados de vida em que participamos na vida do outro e, acima de tudo, vimos que o que importa na vida é realmente aquilo que não te podem tirar. A vida que viveste, isto é, aquilo que tu és. Absorvemos a alma com aquela paz e tranquilidade uma vez mais, que a hora era de partir e não se pode ficar demasiado tempo naqueles sítios, se realmente se pretende voltar. E esvaziando lentamente os pulmões fomos deslizando para baixo até pousar suavemente em Trujillo. Ao longe vimos subindo em direcção Hananpacha, um sorridente Nelson Mandela.
E uma vez mais, os Condores foram seguindo à distância a nossa descida, garantindo que chegariamos a salvo ao nosso Kaypacha. Despedimo-nos deles com Scarborough fair (Simon & Garfunkel) e partimos para o entardecer com Gently Weeps (Beatles).

No fim, a sensação de partilha plena de um segmento de vida. Uma lauta refeição a dois vendo o sol cair lentamente no horizonte desvanecendo na nossa alma aquela aventura, enquanto o Luis montava a banda sonora do filme que eu haveria de vir a fazer. Em perfeita sintonia.

sábado, 30 de novembro de 2013

THE FLIGHT OF THE CONDOR - On the Top of the World

And again with the words of Luis Machado…

If we climbed high on the top of the mountain with Eddie Vedder, up to Huamachuco, with Eddie we kept moving in the mountains in the next morning. We have arrived before 6 in the morning to Lake Sausococha, a true Gods mirror, which quickly swallowed us with its tranquility and purety. Just Breath say the lyrics and that was exactly what we did. Deep breath and try to record in our memories that peace, while absorbing the energy irradiated by the sun that slowly and sleepy was rising up in the sky. The needed energy for the day that we anticipated as a long one.
And so, with our batteries completly full, after “crossing” cigarettes in way that recall D’Artagnan and the 3 mosqueteers, we put our feet on the way with this two new Peruvian friends towards the top of the Andes, at 4300m height, leaving the cold Huamachuco (the Sombrero of Halcon) behind. Up above we felt like giants, completely melted with nature. Once again we could see the world by the Condor´s perspective, without having to leave our feet from the ground. For us, only that moment was important, past has been left behind and the future would come as itself would like to do it... There we were the center of the universe… There we were on the top of the world. With Oasis (Don´t look back in anger) and Night Visions (on the top of the world)
E de novo com a palavra de Luis Machado...

E se com o Eddie Vedder nos elevámos bem alto nas montanhas até à remota cidade de Huamachuco, com ele continuámos a percorrer a cordilheira na manhã seguinte. Ainda antes das 6 da manhã, chegamos à Lagoa de Sausacocha, um verdadeiro espelho dos Deuses que rapidamente nos engoliu com a sua tranquilidade e pureza. “Just breath” diz a música e foi mesmo isso que fizemos. Respirámos fundo e tentámos gravar na nossa memória aquela paz à medida que íamos absorvendo a energia do sol que, dorminhoco, se ia preguiçosamente levantando no céu. A energia ideal para enfrentar um dia que se adivinhava longo.
Já com as baterias bem carregadas, e depois de um cruzar de cigarros, a fazer lembrar o D’Artagnan e os 3 Mosqueteiros, seguimos com os dois novos companheiros de viagem em direcção ao topo da cordilheira andina, até aos 4300m de altitude, deixando a gélida e solarenga cidade de Huamachuco (o Sombrero de Halcon em Quechua) para trás.
E bem lá no alto sentimo-nos como gigantes, uma parte integrante da natureza. Uma vez mais podémos ver o mundo da perspectiva do Condor, sem que para isso tivéssemos sequer que tirar os pés do chão.


Lá em cima só importava aquele instante, o passado tinha ficado para trás, o futuro haveria de vir como ele próprio bem entendesse... ali éramos o centro do Universo... ali estávamos no topo do Mundo (Oasis, Don’t look back in anger e Night Visions, On Top of the World)."

domingo, 24 de novembro de 2013

THE FLIGHT OF THE CONDOR - in the Footsteps of History


 The Pre-Incas cultures ended up, one way or another, melted into that powerful and amazing civilization: the Incas. Following the steps of their History, we fell down in the pickup vehicle, me and Luis, and blown by the wind  we “snaked” up in the mountain following the Condors that were sliding in the air up above in the top of the mountain. Definitively showing us the way. 4,5 long hours to drive 125 km from Trujillo to Huamachuco, a small town stucked in the middle of the Andes. From the Sea level to 4000m and then sliding down to 3500m of Huamachuco. 4,5 long hours of pure pleasure embedded by the beautiful scenary of those mountains, slowly cutting our air, until we reached that sweet sickness of heights, adequate to absorb all that beauty of nature. To help reaching that state, Luis picked up the iPod and blessed our trip with Radiohead (High and Dry) and Eddie Vedder (Society). Perfect symbiosis with my soul. Two generations united by the same music. Perfect for that Nirvana. 


THE FLIGHT OF THE CONDOR - in the Footsteps of History from nunocruz on Vimeo.

As culturas pré-incas, acabariam de uma maneira ou de outra integradas na cultura mãe daquelas terras, os Incas. Seguindo os passos dessa História atiramo-nos, eu e o Luis, para dentro de uma pick up, entalados entre uma parafernália de ferramentas de trabalho da mais variada utilidade, serpenteamos com o vento montanha acima com os inevitáveis condores pairando sobre nós e indicando-nos o caminho a seguir. 4,5 longas horas para fazer 125 km entre Trujillo e Huamachuco, uma pequena cidade entalada nas pregas dos Andes.  Do nível do mar para os 4.000m descendo depois para cerca dos 3500m em Huamachuco. 4,5 horas de prazer profundo embebido pela grandiosidade da cordilheira, que nos foi literalmente cortando o ar até atingirmos a doce oura da altitude, propicia à absorção plena de toda aquela beleza. Para ajudar, o Luis, sacou do seu iPod e abençoou-nos a viagem com Radiohead (High and Dry) e Eddie Vedder (Society). Simbiose perfeita comigo. Duas gerações unidas pela mesma música. Perfeito para esse Nirvana.

domingo, 17 de novembro de 2013

THE FLIGHT OF THE CONDOR - A long time ago

Trujillo, Peru
Under the Condor wing
Under the wings of the Condor, which protected our souls and guide our steps, we drawn ourselves in the time and the history of the Indian cultures that inhabited that strip of desert land that is the Peruvian coastline. Without Jorge Santos, whose life had moved him to Lima.
A long long time ago, a lot before the Inca Culture, the Moche culture flourished in the arid area of the North coastline of Peru. Although they haven´t developed a political unity between the civilizational groups, they had a strong culture link. They didn´t have a proper writing and so, iconographic representation in handycraft, ceramics, jewelry were the means of telling to the future, their story, their believes, their way of life. The common architecture were based in their temples (Huaca) and pyramids, usually in adobe, being the Sun and the Moon temples (in Trujillo) the best examples of their creativity. Taken by the sound of Simon & Garfunkel (el Condor Pasa), me and Luis drawn ourselves into the deep hearth of Moche culture, learning how they lived and how they disappeared, in a sequence of 30 years of el Niños that generated 30 years of overflow in the coast line, followed by 30 years of dryness and more 30 years of civil war arising from the precarious conditions. With their houses and farms destroyed, people stop believing in Gods, doubt their human sacrifices and rejected their social stratification.
It is terrifying to think how close it is of the world we are living in.  
The Moche culture had disappeared around 800 AC, but left the seeds for the further Chimú civilization (Xth Century), who were also very skilled in ceramics jewelry and metallurgy. But their main achievement was as architects and urbanists, being actually considered the best of the old Peru. And once again, we transported ourselves with the time and got inside the greatest adobe city of the world, 15 km2 where 100.000 inhabitants lived together in the past.  Always protected by the Condor wings that followed all our steps in this historic promenade, ensuring us a safe journey . This time with “Cariñito"  (Los Hijos del Sol).

E com o condor como cicerone, protegendo-nos a alma e orientando-nos os passos sob as suas asas, mergulhamos no tempo e na história das culturas que habitaram a faixa desértica da costa peruana (Pacifico), já sem o Jorge Santos cuja vida o havia levado já para Lima.
Muito antes do aparecimento da cultura inca, em 100 a.C. floresce no seco Litoral Norte do actual território Peruano a civilização Moche. Não desenvolveram um estado ou unidade política entre os centros civilizacionais que abrangiam, mas apresentavam uma unidade cultural na iconografia comum. Aliás, uma vez que não dominavam a escrita, a representação iocnográfica em artefatos, cerâmica, murais e joalharia foi a forma que encontraram de registrar a sua história, as suas crenças e o seu modo de vida.
A arquitetura desenvolveu-se através de grandes obras públicas como templos e pirâmides, ambos com o uso de adobe (tijolo cru), sendo as Huacas del Sol e de la Luna (primeira parte do filme) os melhores e mais imponentes exemplos das capacidades arquitectónicas desta civilização. A Huaca del Sol, uma enorme estrutura piramidal situada no rio Moche, foi a maior estrutura arquitetônica pré-colombiana construída no Peru e possivelmente o centro de irradiação da cultura Mochica. Este sítio arqueológico foi desfigurado e praticamente destruído pelos conquistadores espanhóis assim que souberam da existência de artefatos de ouro enterrados nas tumbas encerradas na pirâmide. Felizmente a Huaca de La Luna, situada em frente da anterior e que se acredita que foi o principal centro religioso da região, permaneceu praticamente intacta, conservando, além de abundante iconografia cerâmica, magníficos murais coloridos. E assim, lá mergulhamos na Huaca de la Luna, levados pelo som de Simon & Garfunkel (el Condor Pasa), viajando uns séculos no tempo até ao coração da cultura Mochica e espreitando o seu declínio. Uma sequencia de "El Niños", que gerou 30 anos de inundação na costa, seguidos de 30 anos de seca e mais 30 anos de guerra civil em virtude da escassez de recursos, que arrasaram as suas casas e culturas, os fez deixar de acreditar na bondade dos Deuses, duvidar da eficiência dos rituais de sacrifícios humanos e rejeitar a estratificação social  e a linhagem. Os deuses haviam dado provas de uma ira que parecia não terminar jamais.
Qualquer sociedade moderna teria sucumbido...
Aterradoramente semelhante aos nossos dias, não podemos deixar de pensar.

Os Mochicas enquanto cultura desaparecem por volta do ano 800, mas geram uma nova cultura (Séc. X), os Chimu. Como legatários da cultura Mochica, os Chimus foram igualmente eximios na cerâmica e na produção metalurgica. Mas onde realmente se destacaram foi na sua qualidade, enquanto arquitectos e urbanistas, havendo quem defenda que são percursores dos Incas no que se refere as construções monumentais e que os considere os melhores arquitectos do Perú Antigo. E uma vez mais, transportados no tempo entramos na maior cidadela de "barro" do mundo, Chan Chan!!!, ao som de "Cariñito" dos Los Hijos del Sol. Aí, sempre protegidos pelas asas do Condor nesse deambular histórico, pasmámos pela sua imponência, organização e adornos em relevo daqueles 15km2 que chegaram a albergar cerca de 100.000 habitantes.  Pena o "El Niño", sempre ele, lhe ter retirado a sua cor original furtando-nos o verdadeiro "El Dorado", que devia o nome ao amarelo dourado que irradiava como um Sol. Nada, no entanto, que empobreça o que aos nossos olhos foi dado a ver.